Para lojistas, economia desaquecida e redução de vagas de estacionamento afetaram a região
Em apenas uma volta pelo quarteirão cercado da Savassi pelas ruas Antônio de Albuquerque, Alagoas e avenida Getúlio Vargas, é possível contar 15 lojas fechadas. Na rua Pernambuco, entre Cristovão Colombo e Tomé de Souza, das cerca de 20 lojas do pequeno quarteirão, cinco estão com as portas baixadas. Esse é o cenário visto por quem caminha pelo coração da Savassi. De acordo com o diretor do Conselho da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH) para essa região, Alessandro Runcini, a situação não é diferente de qualquer outra região comercial do país, mas algumas particularidades agravam. “A crise macroecoômica é generalizada. Mas o aumento elevado do valor do aluguel e algumas ações, como corte de 155 vagas de estacionamento rotativo, afugentam muita gente”, analisa Runcini.
Segundo ele, a expectativa era que a Savassi, depois de sofrer com dois anos de obras de requalificação até 2013, conseguisse se recuperar a pleno vapor. Mas isso ainda não aconteceu. “Os lojistas estão se unindo. Criamos um passaporte (de descontos) e estamos discutindo ações culturais que possam trazer o público”, destaca o diretor da CDL.
Muitas lojas de roupas, calçados e restaurantes já deixaram a região. As livrarias, que sempre ocuparam a cena, se debandaram. Após o fechamento da Travessa, há cerca de três anos, no ano passado foi a vez da Mineiriana, que encerrou as atividades após elevado reajuste no aluguel. Neste ano, já fechou a Status e a Leitura vai transferir a loja tradicional de quadrinhos da avenida Cristóvão Colombo para a megastore que já possui no Pátio Savassi.
Para não baixar as portas, alguns lojistas estão baixando os preços. Essa foi a estratégia da loja de roupas Spirallis, que funciona no shopping 5ª Avenida.
O proprietário, Adevaldo Júnior, conta que em meados do ano passado pensou em fechar uma das quatro unidades. Quando colocou o estoque em promoção, reduzindo em até 70% os preços, vendeu em três dias o que venderia em um mês. Então percebeu que aquela era a melhor estratégia para enfrentar a crise e aplicou nas outras lojas. “A intenção era queimar o estoque, mas aumentamos as vendas e revolvemos fazer do limão uma limonada”.
Sem emprego desde dezembro do ano passado, a vendedora Michelle Rodrigues da Costa começou na Spirallis nesta semana. “As vendas cairam muito. Eu fui demitida de uma grande loja no ano passado, que fechou várias unidades. Só agora consegui ser contratada, já estava desesperada”, conta
Na época da revitalização da Savassi, 52 lojas não suportaram a queda nas vendas e fecharam. Para os vendedores e empresários que trabalham na região, apesar dos números negativos de três anos atrás, agora a situação é ainda pior. “Naquela época, o Brasil estava bem”, ressalta Runcini.
Os números do verejo no país
95,4 mil lojas foram fechadas no país durante 2015, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC)
-8,5% estimativa de redução das vendas do varejo brasileiro durante o ano passado, segundo a CNC
11 mil lojas foram abertas em 2014, mesmo quando as vendas estavam ruins, com queda de 1,6%
Leitura ficará só no shopping
Nascida e criada na Savassi, a professora Regina Freitas, 61, se mudou da região há 15 anos, mas continua frequentando constantemente, principalmente pela Leitura da Cristóvão Colombo. Agora, está desolada com o fechamento da loja na avenida, que terá as atividades transferidas para a megastore do Pátio Savassi.
“Muito triste. Ela vai fazer bodas de prata e fechar. Eu gosto é daqui, não gosto de shopping. Mas a Savassi está muito mudada, muitas placas de aluga-se e passa-se o ponto. Essa mudanças acabam me afastando, porque já não me identifico mais, pois acabou aquele perfil de vanguarda típico”, lamenta.
A loja é um ponto de referência de quadrinhos. Segundo a gerente da Leitura, Daniella Teles, o fechamento deve acontecer até 10 de junho, mas tudo será transferido para o Pátio. Os 16 vendedores serão remanejados para outras unidades.
Estratégia
“A transferência para o Pátio Savassi é uma decisão estratégica, que se alinha mais ao padrão da Leitura, com tendência mais voltada para shoppings”
Daniella Teles Zebral, Gerente da Leitura
Fonte: O Tempo






