
Nascida em Goiânia, a Bibliotecária Vânia Célia de Oliveira (CRB-6/753ES) se mudou para o Espírito Santo em 1992 e se apaixonou pelo Estado. “Eu amo aqui, não pretendo nunca me mudar daqui. Apesar de a minha família morar toda lá, eu gosto da qualidade de vida que eu tenho aqui e é minha história”, revelou. Vindo de uma família com mãe analfabeta e pai analfabeto funcional, Vânia foi a primeira mulher da família a possuir uma graduação e se tornar mestre.
Inspirada por seu irmão mais velho, que era professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com quem foi morar, Vânia resolveu se candidatar ao vestibular e passou após 13 anos sem estudar. A goiana, que já tinha uma filha, engravidou do seu segundo filho no início da graduação e, por isso, precisou aguardar até o fim do curso para fazer seu estágio. “A minha primeira experiência de biblioteca, foi na Biblioteca Pública Estadual do Espírito Santo. Eu fui contratada para fazer um estágio, era o estágio obrigatório e eu precisava para me formar e o lugar que eu queria trabalhar era no setor infantojuvenil. Primeiro, eu comecei a vivenciar toda aquela rotina cultural e eu gostei muito daquele clima”.
A Bibliotecária e Arquivista formada pela UFES e mestre em Ciência da Informação, também pela UFES teve seu primeiro projeto desenvolvido durante sua graduação em biblioteconomia. O projeto era destinado a organização de acervo de livros e de documentos da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes) “era 2010, isso foi minha primeira experiência, eu era uma aluna, mas eu já tinha isso, eu nem pensava em ser arquivista, só que como eu estudei a técnica da arquivologia, era uma forma de eu entender dentro da lógica, porque cada profissão tem sua técnica. Eu sempre penso, eu sempre defendo que o Bibliotecário organiza a biblioteca e organiza documentos dentro da biblioteconomia, não dentro do desejável que a arquivologia exige, entende. Então, sendo arquivista, eu aprendi a separar isso.”
Incentivada pelo seu desejo, Vânia pediu para ir para o setor infanto-juvenil “eu queria trabalhar com criança, eu tinha vontade de trabalhar com criança, eu gostava daquela luz que o setor infantojuvenil tinha”. Para a profissional, as crianças são os primeiros pesquisadores, “então a biblioteca escolar tem uma importância muito grande na vida da criança e, dependendo de como o Bibliotecário trabalha, a biblioteca escolar se torna auxílio da sala de aula, porque ela é um equipamento que auxilia, ela é um dispositivo que vai ajudar o aluno. É como uma vertente, um espaço que permite que o aluno tenha acesso à arte, cultura, aos livros de forma muito mais democrática”.
A respeito do estereótipo de biblioteca como lugar de silêncio, Vânia afirma que não acredita que o aluno “tem que achar que lá é lugar de silêncio, ele tem que achar que lá é um lugar de respeito, que tem que falar baixo porque atrapalha outro colega. Eu trabalho dentro dessa vertente, que se tem que respeitar o outro, mas que a gente pode tirar um dia para ouvir música, que a gente pode tirar um dia pra cantar, para assistir filme. É essa perspectiva cidadã que eu trabalho, e que a gente pode tirar um dia de discutir coisas sérias como abuso infantil, agressão contra a mulher, homofobia, bullying, que são coisas que a gente vê muito dentro da escola”. A Bibliotecária revela que, desde que se apaixonou pela profissão, se sente responsável, principalmente, no âmbito escolar, de abordar temáticas de forma leve e didática “e aí entram os projetos culturais”.
A bagagem prática e teórica acumulada pela profissional durante os anos de estudo, permitiram que ela assumisse, em 2012, o cargo de Bibliotecária na rede municipal de ensino da Prefeitura Municipal de Cariacica e começasse a realizar projetos “lá – em Cariacica – tem uma classificação de cores que foi desenvolvida por mim. Ali, eu conquistei uma aprovação para que eu mudasse toda a classificação da biblioteca do infantojuvenil para uma classificação mais colorida”. Para Vânia, o método desenvolvido por ela ajuda as crianças a terem acesso à informação e é utilizado até hoje. “As crianças olhavam as cores e entendiam que gostavam mais do livro que tem a linha azul que corresponde à poesia e aí era a questão do lúdico, do visual, de trabalhar com criança que ainda está em formação e que até elas aprendiam que lá dentro daquela cor, lá era o que ele mais gostava. Esse foi meu primeiro feito dentro da área”, conta.
A Bibliotecária possui um extenso currículo de projetos desenvolvidos e alguns podem ser consultados em seu Mapa Cultural. Entre seus diversos trabalhos na área estão o Lendas Capixabas, que é um jogo educativo cultural que possui versão para Android e iOS e, segundo informado no site destas plataformas, possui “foco na cultura regional do Estado do Espírito Santo e tem como objetivo a valorização e o resgate cultural, em torno da transmissão de saberes através das lendas regionais”; e o Projeto Fundo Documental, contemplado no “Edital de Seleção de Projetos n.º 013/2016 – Seleção de projetos culturais e concessão de prêmio para inventário, conservação e reprodução de acervos, do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura) – Lei Complementar n.º 458, de 21/10/2008 -, que tornou realidade a digitalização do Fundo Documental do 1º Cartório de Registro de Cariacica. Ele é composto por 975 documentos que, após serem digitalizados, geraram 1338 imagens. A digitalização contribui para a preservação dos documentos originais e tem como principais vantagens a difusão em larga escala das imagens produzidas, garantindo a segurança dos documentos arquivísticos originais, por restringir seu manuseio”. O trabalho resultou na publicação de um livro eletrônico disponível para download gratuito.




