“A poesia resiste, apesar de tudo”, disse Augusto de Campos ao receber, hoje, dia 7, das mãos da presidente do Chile, Micelle Bachelet, o Prêmio Ibero-Americano de Poesia Pablo Neruda 2015, no Palácio de La Moneda, sede do governo chileno. O prêmio, anual, é concedido pelo Conselho Nacional da Cultura e das Artes (CNCA) do Chile e, pela primeira vez, é entregue a um escritor de língua portuguesa.
A solenidade contou com a presença do ministro da Cultura chileno, Ernesto Ottone, e do ministro da Cultura brasileiro, Juca Ferreira, entre outras autoridades e familiares do escritor.
Bachelet defendeu uma aproximação cultura entre Brasil e Chile. “Apesar de sua enorme presença artística no mundo, apesar da beleza arrasadora e da popularidade de sua música, apesar de tantas boas razões, a cultura do Brasil continua sendo um pouco alheia para nós chilenos, e essa estranheza nos empobrece”, disse a presidente.
Juca Ferreira destacou a importância da obra de Augusto de Campos. “A poesia concreta se estende para o plano conceitual, para o plano do cinema, da produção de imagem, da música”. O ministro comentou a coincidência de Augusto de Campos ser o homenageado, deste ano, da Ordem do Mérito Cultural, que será entregue no Dia Nacional da Cultura, 5 de novembro.
O Prêmio
O Prêmio Iberoamericano de Poesia, considerado um dos maiores da fala hispânica,
foi criado em 2004 pelo centenário de nascimento do poeta chileno, conta com o patrocínio da Fundação Pablo Neruda e uma premiação de US$ 60 mil. O júri que elegeu o brasileiro foi integrado pela uruguaia Silvia Guerra, o colombiano Juan Manuel Roca, a cubana Reina María Rodríguez e os chilenos Óscar Hahn e Carmen Berenguer.
Desde sua criação, foram agraciados o mexicano José Emilio Pacheco (2004), o argentino Juan Gelman (2005), o nicaraguense Ernesto Cardenal (2009), os peruanos Carlos Germán Belli (2006) e Antonio Cisneros (2010), os cubanos Fina García-Marruz (2007), José Kozer (2013) e Reina María Rodríguez (2014), além dos chilenos Carmen Berenguer (2008), Óscar Hahn (2011) e Nicanor Parra (2012).
Augusto de Campos
“Foi mais que uma surpresa”, comentou o agraciado, poeta, tradutor, ensaísta, crítico de literatura e música. Primeiro, porque o prêmio nunca havia sido concedido a escritor de língua portuguesa. Depois, pela peculiaridade de sua obra.
“Minha poesia é experimental, que lida com territórios desconhecidos ou pouco frequentados pela literatura convencional”, comentou Augusto, criador – junto a seu irmão Haroldo de Campos e a Décio Pignatari – do Movimento Concretista no Brasil. “Jamais poderia imaginar que me outorgassem um prêmio”.
Em novembro, Augusto de Campos receberá outro prêmio: coincidentemente, será o homenageado da Ordem do Mérito Cultural, no dia 5 de novembro, em Brasília.
Fonte: Ministério da Cultura





