No Dia do Bibliotecário, conheça um pouco mais sobre essa antiga profissão, mas que ainda passa por desafios

Para Santarem, vivemos a Era da Informação – daí a importância do bibliotecário (Foto: F.L.Piton/A Cidade)
Mariene Coutinho Rodrigues tem um objetivo no trabalho: mediar o contato entre as pessoas e o acesso ao conhecimento. Mais que desafiador, este é o compromisso diário de Mariane, que o cumpre com paixão.
Outro caso de amor com a profissão é o de Gina Botta de Souza. Em uma história curiosa, ela ganhou uma canção e um beijo no rosto após ajudar um garoto em seu trabalho escolar. Tudo o que ele precisava, segundo Gina, era de um livro.
O que essas duas mulheres tem em comum é o trabalho de organização, seja ele de conhecimentos, fatos históricos ou os mais diversos recursos informacionais. Elas são bibliotecárias. E neste sábado, 12 de março, é o dia delas.
Era da Informação
Apesar de ser um trabalho antigo e enfrentar desafios, a profissão de bibliotecário tem ganhado ainda mais reconhecimento através do Congresso Nacional. Desde 2010, é obrigatória a presença desse profissional em todas as bibliotecas do país (Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010).
De acordo com José Eduardo Santarem Segundo, doutor em Ciências da Informação e coordenador do curso de Biblioteconomia e Ciências da Informação e Documentação da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, essa decisão implica na necessidade de formação e de abertura de 100 mil postos de trabalho.
“Eu me casei com a biblioteconomia há quase 15 anos e, hoje em dia, entendo que a profissão tem um papel muito importante em vários contextos, pois vivemos a Era da Informação, que veio a substituir a Era Industrial”, diz Santarem.
Porém, dados divulgados pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) vão na contramão disso tudo. Os números mostram que a quantidade de bibliotecários têm diminuído nos últimos três anos.
Em 2013, a cidade contava com 226 profissionais da área registrados e, até janeiro deste ano, o número caiu para 207, com 47 demissões em um ano. Mesmo assim, Tayná Abad Vieira, de 21 anos, se prepara para concluir o curso coordenado por Santarem e entrar no mercado de trabalho.
“A área é abrangente e o curso nos deixa confortável com isso. Eu, por exemplo, me encontrei em social media, onde posso aplicar muito dos aprendizados e trabalhar com palavras-chave selecionadas e indexação no conteúdo de mídia.”
E Tayná ainda leva uma vantagem: ela se encaixa em outro dado importante dessa profissão. Ainda segundo a Acirp, as mulheres são a maioria entre os bibliotecários. No atual quadro de funcionários da cidade existem 121 mulheres na profissão, contra 86 homens. E essa não é uma novidade.
Gina, que revelou uma das histórias marcantes que a profissão lhe proporcionou, é bibliotecária no Centro Universitário Moura Lacerda há 15 anos e diz que, desde sua época de faculdade, as mulheres se interessam mais pela profissão. “Eu fazia parte de uma turma de 40 alunos onde apenas quatro eram homens. Mas, hoje, vejo que essa realidade já está mudando.”
O mesmo acredita Santarem. Para ele, a área é dominada por mulheres, entretanto, não é uma regra. “O perfil profissional do nosso aluno e as oportunidades de mercado tem aberto muitas possibilidades aos homens. Creio que, em nosso curso, tenhamos aproximadamente 40% dos alunos do sexo masculino atualmente.”
Curso
O curso de Biblioteconomia e Ciências da Informação e Documentação é oferecido pela Universidade de São Paulo desde 2006 e recebe 48 calouros, todos os anos, interessados em seguir nessa profissão. Esse é o único centro de formação da área em Ribeirão Preto.
Os obstáculos da profissão, no entanto, não são tão importantes para Paula Almeida. Ela, que tem 50 anos e é bibliotecária há 30, também trabalha na USP e afirma que a profissão é importante para a sociedade e formação do ser humano.
“Com a tecnologia, nós precisamos nos inovar, como em qualquer outra profissão. Mas isso não quer dizer que a biblioteconomia está acabando. Aqui na universidade, investimos em sistemas de digitalização e equipamentos voltados para deficientes audiovisuais a fim de atrair os alunos”, diz.
Afinal, onde tem informação, é preciso alguém para lhe mostrar o caminho.
Fonte: Jornal A Cidade | Colaboração: Júlia Fernandes





