
Há alguns anos, a leitura é utilizada na ressocialização de presos. A estratégia é necessária, afinal o Brasil é o terceiro país no ranking mundial de maior número de encarceradas – são mais de 755 mil detentos, de acordo com o levantamento “Diagnóstico de práticas de educação não formal no sistema prisional do Brasil“, do Grupo Educação nas Prisões.
Contudo, desse total de encarcerados, apenas 10,6% participam de atividades educacionais – categoria incluindo os projetos de leitura como remissão de pena.
A Bibliotecária capixaba com experiência na realização de atividades de leitura com detentos, Adriana Isidório Zamite (CRB-6/824 ES), observa como os livros são fundamentais nesse processo de ressocialização.
“Em 2014, tive a oportunidade de ministrar um curso de auxiliar de biblioteca em duas penitenciárias no Espírito Santo. Fiz uma atividade que foi muito relevante e gratificante, tanto para mim quanto para os participantes, que foi o estímulo à leitura com livros adaptados para o cinema”, conta.
Ela ressalta que, para desenvolver o projeto, primeiramente, precisou conferir os livros disponibilizados nos acervos dessas bibliotecas prisionais para saber os títulos disponíveis que ganharam adaptação audiovisual. Nessa pesquisa, encontrou obras como “O menino do pijama listrado”, “As aventuras de Pi” e algumas histórias em quadrinhos.
“Mais importante que trabalhar somente o incentivo à cultura, é relacionar o tema do livro com a vida dos alunos”, destaca a Bibliotecária. Ela explica que, durante as oficinas, procurou fazer outras abordagens, relacionando o enredo das obras com diferentes aspectos da vida deles.
“Trabalhamos, por exemplo, a questão do comportamento familiar e a contextualização da Segunda Guerra Mundial em ‘O menino do pijama listrado’”, revela.
Entretanto, ela destaca a importância do Bibliotecário na realização desse tipo de projeto, afinal, a pessoa graduada em Biblioteconomia é o profissional adequado para encontrar o material propício que despertará maior interesse entre os detentos.
Confira o depoimento que a Bibliotecária capixaba cedeu para o Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região Minas Gerais e Espírito Santo (CRB-6).




