
A Biblioteca Prof. Arlindo Corrêa da Silva, do Instituto Ramacrisna, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, recebeu o Prêmio Pontos de Leitura 2023, oferecido pelo Ministério da Cultura (MinC). Ela foi uma das 300 instituições no país reconhecidas pelo Governo Federal e receberá uma quantia de R$ 30 mil para compra de acervo, equipamentos e materiais. A premiação destaca bibliotecas comunitárias que desenvolveram atividades de promoção da leitura, em contextos urbanos e rurais, e que tenham contemplado povos e comunidades representativos da diversidade cultural brasileira em 2023.
O projeto premiado foi o Mala de Leitura, que existe desde 2013. No começo, o Ramacrisna emprestava a creches da cidade de Betim um expositor em formato de mala, contendo vários livros. O projeto foi crescendo durante os anos e passou a doar as malas para instituições de Juatuba, Betim, Mateus Leme e Esmeraldas. Em 2018, com o apoio do Criança Esperança, o projeto doou uma mala com 60 livros para cada escola pública de Betim, totalizando 70 instituições.
No ano passado, o projeto atendeu outras bibliotecas públicas e comunitárias, como o Centro Materno Infantil de Betim e a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC).
Meio século de história
O reconhecimento do Ministério da Cultura ocorre pouco antes da Biblioteca Prof. Arlindo Corrêa da Silva completar 50 anos de história, atendendo crianças e jovens, a partir dos 6 anos, em situação de vulnerabilidade atendidos pelo Instituto Ramacrisna. Após décadas sendo uma biblioteca tradicional, a partir de 2010 o espaço começou a se transformar. Com o trabalho de Bibliotecários e apoio de empresas privadas, o Instituto investiu em mais obras literárias para o público-alvo e adotou uma forma diferente de distribuição dos livros.
“Passamos a classificar as obras por cores de acordo com a faixa etária. Isso deu maior autonomia aos leitores dentro do espaço. As crianças passaram a encontrar sozinhas os livros que elas gostam e que, ao mesmo tempo, são os mais adequados para elas”, conta Conceição Cristina dos Santos (CRB-6/3688), uma das bibliotecárias que trabalha no projeto.
Segundo ela, no Ramacrisna, existe a preocupação dos profissionais de afastar a ideia de que a biblioteca tem que ser em espaço silencioso, frio e escuro. “Há espaços para leitura com puffs e almofadas onde as crianças e jovens param para ler o que escolheram e trocar impressões. A nossa biblioteca não é um espaço só de leitura, mas um ponto de encontro, de conversa e de lazer”, ressalta.
Impactos positivos
Não é exagero falar que os projetos da Biblioteca Prof. Arlindo Corrêa da Silva vem ajudando o Instituto Ramacrisna a mudar vidas de crianças e jovens. Os profissionais conseguem ver no dia a dia e a longo prazo os impactos positivos das iniciativas.
“A gente percebe que a criança que lê é mais participativa e protagonista na comunidade em que vive, além de ampliar o vocabulário, o senso crítico e a visão do mundo. Vemos um resultado muito bom entre as meninas também. Jovens pretas de comunidades costumam ter problemas de autoestima. Procuramos direcionar a leitura dessas garotas para obras que tratam de empoderamento feminino e de valorização da mulher, e o resultado é muito bom, aqui e na área em que vivem”, relata Conceição.
Em 2023, a biblioteca do Instituto Ramacrisna atendeu 3.964 pessoas entre crianças, jovens e adultos da região, com um acervo de 10.000 livros, com média mensal de 180 empréstimos. O espaço detém parceria com o Instituto Itaú Social, Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, Rede de Leitura Sou de Minas Uai, Rede de Bibliotecas Públicas Comunitárias de Betim, além da comunidade e empresas privadas.





