Data de publicação: 23/01/2013
Por André Miranda; Cristina Tardáguila
Depois de descumprir, em novembro, o primeiro prazo que deu para restabelecer o sistema de ar-condicionado da sede da Biblioteca Nacional – que não funciona integralmente desde maio do ano passado, quando registrou um vazamento que afetou o armazém de periódicos, o presidente da fundação responsável pela instituição, Galeno Amorim, estabeleceu uma nova data para pôr fim ao calor que afeta o prédio histórico situado no Centro do Rio: “em até seis meses”.
Nas últimas semanas, as altas temperaturas registradas na Biblioteca Nacional chegaram a 47 graus, bem acima dos 22 considerados ideais à preservação do acervo histórico da casa. O calor também fez com que a visitação da primeira quinzena de janeiro caísse em 30%, se comparada com a do mesmo período no ano passado.
FGV fará ‘choque de gestão’
O descontentamento é tanto que, na última quarta-feira, os servidores da biblioteca fizeram uma paralisação de protesto. Na terça, após uma assembleia, eles também decidiram não aceitar a proposta feita por Amorim há uma semana, de redução da jornada de trabalho nos meses de verão, das 8h às 14h. Uma nova assembleia está marcada para o dia 29, e podem acontecer novas paralisações.
– Com a redução da jornada, a direção da biblioteca tenta resolver o problema dos funcionários. Mas a gente entende que isso não é solução. Além das pessoas, há todo um acervo que tem sido prejudicado com o calor intenso – diz Otávio Alexandre Oliveira, presidente da Associação dos Servidores da Fundação Biblioteca Nacional. – O que nós estamos pedindo é um detalhamento do que será feito. Vamos esperar mais uma semana e, dependendo do que a direção nos responder, podemos optar por ações mais duras.
Numa nova tentativa de solucionar o problema e em meio a críticas sobre as condições gerais do prédio da biblioteca, Amorim, cujo gabinete está sem ar-condicionado desde que o equipamento foi desligado, em maio, anunciou que a instituição assina nesta quarta contrato com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
– Fechamos um acordo com a FGV para que, nas próximas semanas, ela avalie a situação e diga qual é a melhor opção: alugar equipamentos de ar-condicionado temporários ou comprar aquele que será o sistema definitivo – disse Amorim. – Seja qual for a solução apontada pela FGV, ela estará pronta em até seis meses.
O drama das altas temperaturas é apenas um dos 24 problemas que a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) repassa à FGV para que ela, em até 18 meses, aponte uma solução. Até meados deste ano, diz Amorim, além do sistema de refrigeração da casa, também já terá sido reparado o sistema de combate a incêndios:
– Essas duas ações têm caráter emergencial, mas a FGV também avaliará os sistemas elétrico e hidráulico da biblioteca, o telhado e as estruturas tanto do prédio principal como do anexo na Zona Portuária, por exemplo.
Em nota, a FGV destaca que o acordo, cuja assinatura está marcada para esta quarta, tem três objetivos:“a implantação de melhores práticas de gestão, o desenvolvimento de ferramentas de planejamento e a modernização administrativa” da Biblioteca Nacional.
Em setembro, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, anunciou um repasse à FBN no valor de R$ 70 milhões. Desse total, Amorim diz já ter recebido R$ 11 milhões de uma parcela de R$ 26 milhões que deve vir do BNDES. Ainda faltam, segundo ele, R$ 30 milhões do PAC das Cidades Históricas e R$ 14 milhões do orçamento do próprio ministério. O contrato para que a FGV faça na biblioteca o que Amorim já chama de “choque de gestão” custará até R$ 6,9 milhões.
– Estou preparando a Biblioteca Nacional para seus próximos 200 anos – diz.
O futuro, porém, ainda é incerto. O que se sabe de concreto é que o calor na instituição já dura nove meses. E parece ainda longe de terminar.




