Nem todo começo é planejado, às vezes, o destino se encarrega de fazer as conexões mais certeiras. Foi assim que Maria Angélica Ferraz Messina Ramos (CRB-6/2002), então aprovada em um concurso de nível médio, acabou sendo alocada na biblioteca do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O destino, caprichoso, trocou as peças no último instante. A vaga que deveria ser de outra pessoa foi recusada. E assim, quase por acaso, Maria Angélica foi chamada, e o que parecia apenas um detalhe acabou transformando toda a sua história.
“Foi paixão à primeira vista”, relembra a profissional, sobre aquele primeiro contato com o universo da Biblioteconomia. O cenário das estantes, o silêncio estudioso e o valor do conhecimento despertaram algo que ainda não tinha nome, mas já se fazia presente em cada tarefa desempenhada com dedicação. Dois anos depois, a decisão estava tomada: prestou vestibular para o curso de Biblioteconomia e foi aprovada com excelente colocação.
A escolha profissional que brotou quase por acaso foi, aos poucos, se consolidando como um projeto de vida. A sorte de aprender fazendo, dentro da própria UFMG, foi um privilégio que moldou seu olhar desde o início. E, logo após a formatura, dois caminhos surgiram: UFMG ou Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG)? Foi aprovada em ambos os concursos, mas optou pelo BDMG, onde atua há mais de duas décadas. “Nunca me arrependi da minha escolha”, afirma com convicção.
Seu trabalho sempre caminhou lado a lado com o zelo pela informação. Ao longo dos anos, especializou-se em Gestão Estratégica da Informação e em Gestão de Documentos Arquivísticos, o que a levou a assumir uma função vital: a preservação da memória institucional do banco. Hoje, coordena um projeto que visa reunir e disponibilizar tudo o que o BDMG já publicou em seus mais de 60 anos de história. Um acervo digital completo e acessível, como poucas instituições públicas no Brasil têm.
Embora nem sempre as bibliotecas tradicionais estejam presentes nos ambientes corporativos, seu trabalho segue inabalável. “A biblioteca tradicional pode ter mudado, mas o papel do Bibliotecário segue mais relevante do que nunca”, afirma. E completa: “A informação é o diferencial mais poderoso para enfrentar os desafios do século XXI.”
Esse espírito inquieto e inovador também se reflete em sua visão sobre o exercício da profissão. Para ela, é preciso tomar as rédeas da própria carreira, ser protagonista e buscar, sempre, aprendizado contínuo. “Não podemos esperar que as oportunidades simplesmente apareçam. Precisamos buscá-las, criar caminhos, inventar e reinventar.”
Mesmo diante da proximidade da aposentadoria, Maria Angélica não planeja parar. Quer continuar como voluntária no projeto que lidera, até que tudo esteja concluído. Porque, para quem ama o que faz contribuir com o coletivo é parte do propósito.
Ao refletir sobre o papel do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), ela destaca a importância de ir além das obrigações legais: “A fiscalização é essencial, claro, mas também é fundamental promover a valorização do Bibliotecário por meio de eventos, cursos e campanhas. São essas ações que nos ajudam a mostrar ao mundo a importância da nossa atuação na sociedade.”
Se o acaso abriu a porta, foi a paixão pelo conhecimento que fez com que Maria Angélica permanecesse e deixasse sua marca. Em cada documento arquivado, em cada dado organizado, em cada memória resgatada, está a prova de que a Biblioteconomia, quando feita com propósito, é um dos mais silenciosos e potentes motores da história.




