
Passar em um concurso público não é fácil. E quando isso ocorre com um candidato já na faixa dos 50 anos, é ainda mais raro. Foi o que ocorreu com a Bibliotecária mineira Maria Aparecida de Paula (CRB-6/1970). Natural de Formiga, no Centro-Oeste do Estado, Cidinha, como é mais conhecida, atuou em diferentes bibliotecas em Minas e em outros Estados, antes de assumir, em julho do ano passado, o cargo de Bibliotecária na Biblioteca Pública Jornalista José Luiz de Oliveira, em Arapuá, na região do Alto Paranaíba, após ser aprovada em 1º lugar, aos 50 anos, no concurso realizado pela Prefeitura Municipal.
“Precisei ser muito persistente. Não tinha dinheiro para pagar cursinhos. Assistia às aulas no Youtube e muito jornal, na TV’, recorda. À época, dividia o tempo entre os estudos e o trabalho temporário de consultora nas Faculdades FAEP, de Patos de Minas, e FNSA, em Luziânia, Goiás.
Para conseguir se formar e exercer a profissão, Maria Aparecida superou vários obstáculos. Aprovada no vestibular para biblioteconomia no Centro Universitário de Formiga (UNIFOR-MG), ela quase desistiu do curso por falta de condições financeiras para pagar as mensalidades. Graças a um serviço prestado à instituição pelo pai e um amigo dele, engenheiro, ambos funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG), Maria Aparecida conseguiu uma bolsa por dois anos.
O primeiro estágio, conciliado com o trabalho no comércio da família, foi na própria faculdade, o que também ajudava nos custos. “Na Biblioteca Corujinha funcionava também uma brinquedoteca, para onde eram enviados os alunos mais indisciplinados. Depois de algumas reclamações, os espaços foram separados e a biblioteca finalmente virou um espaço para leitura”, conta.
Seis meses após a conclusão do curso, em 1996, Maria Aparecida engravidou de sua filha e voltou a trabalhar no comércio do pai. Passados dois anos, conseguiu emprego na Biblioteca Municipal João XXIII, em Patos de Minas. Assim que o contrato acabou, começou a se dedicar aos concursos públicos. Mas não teve sucesso. Uma nova oportunidade surgiu: ajudar a montar uma biblioteca no Seminário dos Padres, também em Patos de Minas, especializada em teologia e filosofia, totalmente informatizada. Ficou no local por 18 anos. “Na pandemia, fui demitida, alegaram falta de condições de arcar com meu salário”, lembra.
Apaixonada pela profissão, Maria Aparecida diz que o grande desafio é dar mais visibilidade aos Bibliotecários. “Em pleno século XXI, muitas pessoas ainda acham que ficamos atrás de uma mesa de livros, sem fazer nada. Precisamos promover a conscientização, por meio de propagandas na TV e disseminação de mais informação sobre o nosso ofício, para que a sociedade tenha conhecimento do quanto o Bibliotecário é importante. Falam muito das bibliotecas, mas nunca lembram que são os Bibliotecários que gerenciam e organizam esses espaços, exercendo ainda um papel essencial para estimular a leitura, tão necessária para a construção de um mundo melhor para todos”, complementa.
Para a Bibliotecária, a atuação do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), que vem intensificando as fiscalizações, é essencial para que surjam novas oportunidades de emprego para quem ainda não está conseguindo exercer a profissão. Muitas bibliotecas nas redes municipal de ensino e universitária ainda continuam a funcionar sem o profissional técnico habilitado. “O CRB-6 deve continuar aplicando multas nas prefeituras que não respeitam a legislação”, defende.





