
Margaret Thatcher disse uma vez: “gostaria que você soubesse que existe dentro de si uma força capaz de mudar sua vida. Basta que lute e aguarde um novo amanhecer”. Apesar de o ano ser 2022 e ainda ser preciso que as mulheres lutem diariamente por seus direitos, todas devem saber que são fortes e capazes de trilhar o próprio caminho.
Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região Minas Gerais e Espírito Santo (CRB-6) selecionou a capixaba Elaine Aparecida Costa Rodrigues (CRB-6/ES722) e a mineira Uli Rodrigues Capanema (CRB-6/2173) para homenagear todas as Bibliotecárias do Brasil.
Elaine Aparecida Costa Rodrigues – Cariacica (ES)
“Quando li ‘Melhores bibliotecas para um mundo complexo’, de David Lankes, fiquei impressionada com o potencial de nossa profissão. Nossa rotina de trabalho impacta a vida das pessoas e eu não tinha a dimensão disso. O livro mostra que ser Bibliotecário é, entre outras tantas coisas, engajar-se para a transformação social. A situação demanda muito empenho de nós, estudo e amor”, conta Elaine, que, aos 13 anos, já sabia que queria cursar biblioteconomia.
Além disso, ela revela que “a biblioteconomia já estava em mim, desde quando comecei a me interessar por bens culturais: música, filmes, livros, revistas e fascículos”. Segundo Elaine, quando criança, gostava de organizar os discos e as fitas K7 do pai. “Tive acesso a um fascículo, encartado no jornal, sobre as profissões do futuro e, uma delas, era o Cientista da Informação. Para trabalhar nessa profissão, seria necessário a graduação em biblioteconomia, informava a matéria”. Desta forma, Elaine encontrou o seu caminho profissional.
Enquanto mulher, na profissão, acredita que é possível “protagonizar ainda mais as pesquisas na área, mulheres, enquanto intelectuais e liderança na gestão de Unidades de Informação”.
Entre as profissionais que a inspiram, cita Franciéle Carneiro Garcês “por trazer a discussão sobre as relações étnico-raciais pra nossa área e a Ana Maria da Silva (CRB-6/0680ES) – coordenadora da Biblioteca Pública de Domingos Martins – por seu engajamento em prol das bibliotecas”.
Ela conta que um de seus sonhos é transformar a vida das pessoas com boas práticas na biblioteca e, para isso, já realizou diversas atividades aproximando as pessoas e as sensibilizando para a importância da biblioteca, da leitura, do diálogo, estudo e aprendizagem.
“Outra obra que me tocou bastante foi ‘Quarto de despejo’, de Carolina Maria de Jesus – autora mineira de Sacramento -. Um livro duro e difícil por relatar as condições sub-humanas nas favelas e, também, apresentar a força e resiliência de uma mulher que, mesmo na adversidade, conseguiu se expressar através da literatura”.
Uli Rodrigues Capanema – Pará de Minas (MG)
Caindo de paraquedas em um curso pouco conhecido, Uli se encontrou e se encantou pela biblioteconomia. A mulher que gosta de passar o tempo livre com a família, amigos ou na companhia de um livro, acredita que todos as obras apresentam algo importante para aprender e levar pela vida.
Como toda profissão, há momentos bons, mas a Bibliotecária sente que, “às vezes, por diversas circunstâncias, não consegue desempenhar um papel mais eficiente. Hoje, como funcionária pública, já sinto que meu papel na sociedade, levando informação à população é um grande passo”, afirma. A verdade é que, infelizmente, ser mulher ainda é difícil. Gradativamente, a situação melhora, porém, ainda estamos longe do ideal.
Uli se inspira em Cleide Fernandes (CRB-6/2334), do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais (SEBP-MG), pois é “uma aliada da classe. Ela nos inspira a mostrar nosso papel na sociedade”. Sonha, não só com a valorização do profissional, mas, também, “de termos bibliotecas bem equipadas, com excelência em acervo, com equipe adequada e, principalmente, que a sociedade entenda a importância dela. Meu objetivo é continuar desempenhando, cada vez melhor, meu papel como Bibliotecária, mostrar o quão importante somos”.




