
O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região Minas Gerais e Espírito Santo (CRB-6) iniciou essa série para destacar Bibliotecários que desenvolvem projetos inovadores. Hoje, você conhecerá o trabalho de Saulo Pereira (CRB-6/834ES).
Quando a paixão da infância vira profissão
Desde pequeno, Saulo Pereira era frequentador assíduo da Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim, localizada na capital do Espírito Santo, Vitória. Não importava se fazia calor, frio, ou se estava chovendo, o menino Saulo diariamente passava horas folheando os livros, e, a cada página virada, visualizava uma realidade diferente: em um minuto, era rei; no outro, pirata. Essa vivência fez com que, anos depois, em 2014, se tornasse Bibliotecário.
A carreira de Saulo começou em 2015, na cidade de Aracruz, também no Espírito Santo. “Trabalhei como auxiliar de biblioteca em três escolas da região. Nesse período, desenvolvi projetos que me marcaram muito. Um deles foi o ‘Agrupamento’, em que a ideia era a seguinte: uma parte dos alunos ficava na biblioteca e criávamos dinâmicas de leitura. Outra iniciativa, juntamente com os estudantes, foi a de enfeitarmos uma geladeira, enchermos de livros e a colocarmos em um ponto de ônibus da cidade, onde o transporte demorava a passar”, conta entusiasmado.
Apesar do alcance de ambos os projetos, o capítulo que gerou mais emoções no Bibliotecário foi a contação de histórias, que era realizada todas as sextas-feiras. A cada semana do mês, professores e colaboradores da escola, alunos e, por fim, os responsáveis pelos estudantes liam livros nas salas de aula. “Não foram poucas as vezes que, antes mesmo da abertura da escola, os pais já estavam na porta esperando para pegar uma obra na biblioteca a fim de lê-la aos alunos. Foi incrível ver o comprometimento das pessoas”.
Influenciado pelo papel social da profissão, Saulo também desenvolveu um projeto para abordar o bullying entre os alunos que eram conhecidos justamente por implicar com colegas de turma.
Em 2019, o Bibliotecário virou mais uma página da sua história profissional. Ele assumiu o cargo na Biblioteca Municipal de Marataízes. Até então, o espaço não tinha um profissional formado em Biblioteconomia e registrado no CRB-6, por isso, o primeiro desafio foi organizar a biblioteca e torná-la um espaço mais acessível para a população.
“A biblioteca é um patrimônio estadual. Assim, além do empréstimo de livros, antes da pandemia do novo coronavírus focávamos na apresentação do espaço aos visitantes. Aconteciam muitas excursões escolares e visitas de nativos e turistas. Isso aproximava muito a população do espaço”.
Os trabalhos, no entanto, foram interrompidos com a chegada do isolamento social. No início da pandemia, o Bibliotecário fez entregas a domicílio de livros por conta própria, mas teve que interromper o serviço devido às demandas da biblioteca, que tem funcionado com capacidade reduzida.
Apesar da realidade menos positiva imposta pela pandemia, Saulo mantém a vontade de fazer sempre mais, já que vê a biblioteca como um lugar onde “você pode mudar realidades”. “É um local onde não há espaço para preconceito, é um lugar seguro”, conclui.
Confira as histórias que contamos até aqui
Bruno Moreira de Moraes (CRB-6/3270), da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), em Ipatinga (MG), e Maria Clara Fonseca (CRB-6/942), da Biblioteca Pública Municipal Viriato Corrêa, têm narrativas diferentes, mas unidas por algo em comum: o amor pela Biblioteconomia.
Leia cada uma delas.
“As várias faces de um Bibliotecário”: conheça a história de Maria Clara Fonseca
Participe
Você é Bibliotecário e desenvolve projetos relevantes no seu trabalho? Envie para o CRB-6 o seu relato, fotos suas e das iniciativas. Sua história pode ser a próxima a ser contada aqui no Boletim. Para participar, é necessário que você esteja adimplente e regular com o Conselho.




