
O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região Minas Gerais e Espírito Santo (CRB-6) iniciou esta série para destacar Bibliotecários que desenvolvem projetos inovadores. Dessa vez, Maria Clara Fonseca (CRB-6/942) é quem conta os desafios, conquistas e aprendizados dos seus mais de 30 anos de carreira.
Uma trajetória “demais da conta”

A Bibliotecária trabalha com base na vontade de sempre fazer mais / Foto: Arquivo Pessoal
A expressão define bem a carreira de Maria Clara Fonseca. Desde a graduação em Biblioteconomia, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a então estudante queria saber muito, para fazer o máximo possível para impactar o maior número de pessoas. Os quatro estágios realizados ao longo da graduação deixam claro o esforço feito para atingir seu objetivo.
Ainda no primeiro período, Maria Clara conseguiu um estágio na Biblioteca da Faculdade de Direito da UFMG. Após seis meses aprendendo sobre organização de acervo, atendimento ao usuário, entre outras funções, reconheceu que era preciso ter mais conhecimento. Emendou uma bolsa no Centro Pedagógico da mesma instituição de ensino, depois foi conhecer sobre documentação especializada no Processamento Bancário de Minas Gerais (Probam) e finalizou as experiências profissionais durante o curso de Biblioteconomia no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN).
Antes de se formar, a Bibliotecária também participou do projeto de extensão de biblioteca móvel da UFMG. A alegria da formatura, em 1985, foi ampliada por uma notícia: “Fui chamada para trabalhar no Centro Universitário do Planalto de Araxá (UNIARAXÁ). Saí de Belo Horizonte e cheguei à cidade histórica animada para o que estava por vir”, conta Maria Clara.
E os acontecimentos, como de praxe, foram “demais da conta”. “A Biblioteca Central da instituição de ensino sempre foi muito valorizada, o que facilitou o trabalho. Nesses mais de 30 anos que sou parte da UNIARAXÁ, implantei um novo sistema de informação no espaço para seguir as exigências do Ministério da Educação (MEC); além de colocarmos no ar o repositório e o portal de periódicos da instituição. Isso ajudou muito na colocação da UNIARAXÁ no ranking educacional e auxiliou os acadêmicos nos processos de pesquisa”.
Na década de 1990, Maria Clara sentiu que precisava de mais desafios. Por isso, se candidatou no concurso público para trabalhar na Biblioteca Pública Municipal Viriato Corrêa, também em Araxá. Acostumada com o sistema particular, ela conheceu os percalços de parte dos profissionais públicos, mas os enfrentou. O resultado? Projetos inovadores que impactaram milhares de vidas.
“Dentre as iniciativas que mais me marcaram estão a seção de braile implantada para incluir o grupo de pessoas com deficiência visual, a ampliação do acervo e melhoramento do espaço, a implantação de três sucursais da biblioteca, e a ativação de uma biblioteca móvel”.
Este último projeto nasceu no coração da Bibliotecária quando ela ainda estava na UFMG. A animação da população da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que aguardava ansiosamente a chegada dos livros, fez com que Maria Clara também quisesse ver esses momentos acontecerem em Araxá.

O ônibus do projeto itinerante foi reformado para atender melhor aos usuários / Foto: Arquivo Pessoal
Em 2004, a Bibliotecária se afastou da Biblioteca Pública por causa do mestrado que desenvolveu sobre os resultados do projeto móvel e também porque foi designada para outro posto de trabalho. Depois de 13 anos, voltou ao lugar onde aprofundou seu conhecimento sobre Ciência da Informação e, principalmente, a sua paixão pelo que faz.
“O destino é engraçado, não é? Estou aqui novamente para reinventar os projetos que desenvolvi e continuar uma coordenação focada na inovação. Acredito que a biblioteca precisa mudar ao longo do tempo, algumas pessoas dizem que esse espaço acabará desaparecendo; não acho, mas, se ele não se transformar, o destino dele será o esquecimento”.
A ideia de reinvenção foi materializada pela Bibliotecária durante a pandemia do novo coronavírus. Com a ajuda de um profissional de Tecnologia da Informação, Maria Clara aplicou um novo sistema na biblioteca visando o aprimoramento no atendimento on-line. “Os usuários acessam o software, procuram o livro que querem no acervo e podem ler o resumo dele. Por lá, também é possível agendar uma visita para empréstimo da obra”, conta entusiasmada.
Percebendo o alcance da tecnologia, Maria Clara reativou o perfil no Instagram da biblioteca em que há uma personagem chamada Biblio Teka, que informa aos usuários as novidades. O Facebook do espaço também está de volta à ativa.
A biblioteca também está criando o Sistema Municipal de Bibliotecas Públicas, cujo plano piloto já é realidade.
A conexão continua em alta, mesmo que de outras formas porque para a Bibliotecária “biblioteca é espaço de convivência, conhecimento e informação”.
Primeiro perfil da série
Na última semana, o Bibliotecário Bruno Moreira de Moraes (CRB-6/3270) contou sua história na Fundação São Francisco Xavier (FSFX). A narrativa da chegada em Ipatinga, interior de Minas Gerais, ao desenvolvimento de projetos e pesquisa que mudaram realidades pode ser lida aqui.
Participe
Você é Bibliotecário e desenvolve projetos relevantes no seu trabalho? Envie para o CRB-6 o seu relato, fotos suas e das iniciativas. Sua história pode ser a próxima a ser contada aqui no Boletim. Para participar, é necessário que você esteja adimplente e regular com o Conselho.




