POR JULIÁN MARQUINA

Sabemos que este é um momento de crise e medo. Mas a vida não pode e nem deve parar. Seja como for, as coisas vão voltar ao normal e tudo vai se ajeitar. Enquanto isso, podemos nos preparar para o que vier, adequando à situação da melhor maneira possível. Especialmente em Bibliotecas, locais tão importantes e frequentados, existem algumas medidas que são necessárias para a sua reabertura, serviço e manutenção do ambiente. Pensando nisso, o Bibliotecário e escritor espanhol, Julián Marquina, desenvolveu um artigo com sete medidas de protocolo para a reabertura das Bibliotecas. Além de escritor, Julián é professor e documentalista, com especialização em Bibliotecas e catalogação.
Confira o artigo na íntegra:
Sem ter um protocolo de ação definido a priori, as Bibliotecas conseguiram gerenciar de maneira excelente o fechamento de suas instalações, transformando todas as suas atividades em promoção de sua marca e oferecendo seus serviços digitais através das redes sociais e da internet. Contudo, chegará o momento em que retornarão ao normal. Uma normalidade que pode não ser a anterior, mas que as Bibliotecas devem começar a trabalhar desde já. As Bibliotecas estão pensando nesse futuro imediato? Você está gerenciando e planejando como será o dia em que reabrir?
O tempo passa e o retorno das Bibliotecas está ao virar da esquina, como se diz. Você não precisa esperar até o último momento para começar a pensar em como será o retorno das atividades. Há tempo para pensar e planejar um protocolo de ação, antes da reabertura. Um retorno gradual para evitar ao máximo as chances de infecção e disseminação do COVID-19 e garantir a segurança da equipe da Biblioteca e usuários.
Superando as distâncias, especialmente econômicas e não de importância social, o mundo do futebol já começou a pensar nesse futuro próximo. Por esse motivo, elaborou um protocolo de ação para as equipes retornarem ao treinamento. O fato, somado a uma possível cegueira no presente que não nos permite ver o futuro em poucas semanas, levou-me a capturar neste post algumas ideias (ampliáveis) sobre a necessidade de um protocolo de ação para a abertura de Bibliotecas. Obviamente, lembre-se de que o retorno será difícil. Se quisermos que a Biblioteca física continue a existir como tal, teremos que aprimorar sua necessidade. Mais agora, quando muitas pessoas questionam a necessidade física, ante os serviços digitais.
Algumas ideias sobre a necessidade de um protocolo de ação para a abertura de Bibliotecas
- Comunicação: As Bibliotecas são espaços seguros
A comunicação é essencial e muito mais agora. As Bibliotecas precisam ter calma e comunicar que são locais seguros, livres de vírus e confiáveis para os quais retornar. Não basta apenas comunicar o dia de abertura, mas também explicar as medidas sanitárias higiênicas realizadas e o que será feito no espaço físico e nos recursos das Bibliotecas, entre os funcionários e usuários.
A comunicação será refletida no protocolo de ação e deve ser feita por meio da própria Biblioteca (site, redes sociais, e-mail, cartazes e publicidade), mídia local (imprensa digital e de papel, rádio e televisão), mídia da organização ou instituição da qual a Biblioteca ou Bibliotecas dependem (press releases, redes sociais corporativas e institucionais). As pessoas que frequentam a Biblioteca também devem ser comunicadas e informadas sobre os padrões preventivos de higiene através de cartazes e folhetos.
- Desinfecção de instalações e recursos
A desinfecção e limpeza das Bibliotecas (edifícios, móveis, equipamentos de trabalho e acervo) deve seguir as recomendações das autoridades sanitárias, administrativas e governamentais competentes, antes da abertura das instalações.
Somente a primeira limpeza não será suficiente. O processo deverá ser constante e com mais frequência ao longo do dia e pelo tempo que as autoridades competentes ou equipes de prevenção considerarem necessário. Também se deverá considerar o que fazer com os materiais emprestados no período de quarentena e como desinfectá-los. Ainda será importante implementar medidas, como manter as portas abertas para evitar o contato com maçanetas e puxadores.
- Pessoal disponível e serviços mínimos
Antes de retornar, você precisa saber qual será sua equipe, sendo necessário identificar entre os membros da equipe da Biblioteca quem tem licença por doença e quem se enquadra nas categorias de risco de infecção ou contágio. Não haverá uma volta total, mas a partir dessa primeira verificação, será possível identificar o pessoal essencial para a reabertura. No caso de ser necessário para abrir adequadamente, os cargos de pessoas em licença médica ou por serem grupo de risco devem ser preenchidos por meio de contratação direta ou bolsas de emprego. (Nota da tradutora: verificar as possibilidades de contratação em cada Biblioteca)
Até as autoridades competentes aconselharem o retorno de todo o pessoal à Biblioteca (o que pode ser realizado em semanas sucessivas), o restante do pessoal continuará a trabalhar remotamente.
- Proteção aos trabalhadores e medidas prevenção
A equipe é um dos recursos essenciais das Bibliotecas. É por isso que a proteção é mais que necessária para cuidar da saúde. a proteção também garante o retorno gradual à normalidade da Biblioteca. Alguns padrões de comportamento, higiene e saúde devem ser definidos entre os funcionários da Biblioteca. As regras que podem variar, desde limitar a interação entre colegas e usuários, usar diariamente luvas e máscaras descartáveis, usar géis hidroalcoólicos, até e, se apropriado, testar o COVID-19, antes de retornar à Biblioteca e realizar exames médicos. A higiene das mãos é a principal medida de prevenção e controle da contaminação.
As Bibliotecas devem fornecer todo esse material a seus profissionais, além de garantir treinamento nos diferentes regulamentos e medidas de segurança. Como mencionei, o retorno dos profissionais deve ser seguro. Informação e treinamento são essenciais para implementar medidas organizacionais, de higiene e técnicas entre o pessoal que trabalha em uma circunstância tão particular quanto a atual. Deve-se garantir que todo o pessoal tenha informações e treinamentos específicos e atualizados sobre as medidas implementadas.
- Protocolo de ação para preparação das instalações
Uma série de medidas preventivas deve ser executada para garantir a segurança de todas as pessoas que vão às Bibliotecas. Tais medidas preventivas devem ser desenvolvidas, preparadas e instaladas em Bibliotecas, antes do dia da abertura.
As medidas podem variar, desde a instalação de divisórias de proteção no balcão da Biblioteca para proporcionar um melhor serviço aos usuários, até a abertura das portas e a colocação de géis hidroalcoólicos na entrada da Biblioteca. É essencial colocar cartazes na Biblioteca e produzir folhetos informando as medidas higiênicas e sanitárias. Outra medida a ser levada em consideração e, que deve ser feita com antecedência, é a preparação das mesas na sala de consulta, sala de estudo e computadores para garantir o cumprimento da distância de segurança entre as pessoas.
- Limitação de acesso aos usuários e definição de serviços disponíveis
Para evitar multidões na abertura da Biblioteca e garantir a distância de segurança das pessoas, o acesso aos usuários deve ser limitado na quantidade e no tempo de acordo com o que as autoridades competentes considerarem adequado.
A limitação de acesso leva a Biblioteca a definir e comunicar os serviços disponíveis no período de retorno gradual à normalidade. É por esse motivo que qualquer atividade, envolvendo reuniões e trabalho em grupo deve ser cancelada até que a situação seja normalizada. Os clubes de leitura e de oficinas presenciais são exemplos desses tipos de serviços e atividades.
- Protocolo de ação para novas aquisições
A paralização no momento não é uma solução. As Bibliotecas precisam ressurgir e investir em novas aquisições de recursos informacionais e de entretenimento. É por isso que as novas aquisições devem ser colocadas em operação o mais rápido possível, apesar da crise econômica atual e futura.
É necessário definir as novas aquisições a serem incorporadas ao acervo da Biblioteca e verificar que, tanto no armazenamento dos referidos livros quanto na transferência para a Biblioteca, serão cumpridos os padrões sanitários governamentais. É também um momento de apoiar livrarias e editoras. Se tivemos dificuldades com as Bibliotecas, não é preciso dizer que o setor de publicações e livrarias também teve.





