Ana Maria Zago Vasconcelos (CRB-6/1181) é uma dessas profissionais que sintetizam, com firmeza e paixão, o que há de mais genuíno na biblioteconomia brasileira. Formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1982, ela atravessou tempos e transformações. Da chegada dos microcomputadores à era das bibliotecas virtuais, sempre guiada pela disposição de aprender, se reinventar e exercer a profissão com excelência.
Sua trajetória teve início em Belo Horizonte, em uma biblioteca universitária que já se destacava por adotar sistemas informatizados, algo ainda raro no início dos anos 1980. Enquanto o país ainda lidava com fichários e catálogos manuais, Ana Maria se familiarizava com as tecnologias emergentes que redesenhariam o futuro das bibliotecas.
Mas foi em Araxá, no interior de Minas Gerais, que construiu seu maior legado. Por mais de vinte anos, esteve à frente da biblioteca pública da cidade, transformando o espaço em um centro cultural ativo e pulsante. Projetos de leitura mobilizavam a comunidade local, ao mesmo tempo em que ela também atuava na biblioteca do Colégio São Domingos, aprofundando-se no universo da literatura infantojuvenil, num momento em que nomes como Harry Potter ganhavam força entre os jovens leitores.
Com o tempo, vieram novos desafios. Aceitou atuar em instituições de ensino superior, mergulhando na gestão de documentos eletrônicos e no universo das bibliotecas digitais. “Foi um mundo novo, mas que me instigou a buscar mais. Me especializei, estudei muito e me apaixonei pelo trabalho com acervos digitais”, relata.
Hoje, Ana Maria segue em plena atividade. Divide seu tempo entre consultorias e projetos inovadores. Recentemente, assumiu a gestão da biblioteca física e das bibliotecas virtuais do Instituto Educacional do Alto Paranaíba, em Araxá, uma conquista viabilizada após a atuação firme do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), que reforça a importância da presença do Bibliotecário nos espaços educacionais.
Mesmo aposentada, Ana Maria não se distancia das inovações da área. “A tecnologia muda o tempo todo. Quem não acompanha, fica para trás”, afirma. Seu olhar permanece atento às publicações especializadas, aos cursos e às discussões mais atuais sobre inteligência artificial e bibliotecas digitais. Ela continua aprendendo. Todos os dias.
Ligada ao CRB-6 desde os tempos de graduação, reconhece a importância da entidade para a valorização da profissão. “É um órgão essencial, principalmente para garantir o nosso lugar. Em muitas situações, como essa mais recente, foi decisiva a presença do CRB-6”, ressalta.
Com quatro décadas de atuação e uma inquietação que não se esgota, Ana Maria Zago Vasconcelos representa o que há de mais inspirador na biblioteconomia: o compromisso com o conhecimento, com a transformação social e com a valorização de uma profissão que continua indispensável.




