Seara responsável por um dos capítulos mais importantes da literatura, o segmento infantojuvenil continua sendo um dos principais motores do mercado editorial. Impulsionado pelos programas de incentivo à leitura na década de 1980, quando o governo brasileiro adquiria grandes somas de títulos para serem lidos nas escolas públicas, o gênero conquista lugar crescente em livrarias e editoras, movimento que se reflete também em Belo Horizonte.
Aqui, as livrarias e editoras Quixote e Scriptum, localizadas na região da Savassi, representam tal dinâmica. Ambas criaram recentemente selos voltados para essa faixa de leitores. O primeiro lançamento aconteceu no fim de 2012 com o livro “Pedacim’di’mim”, de Marco Tota Novaes. Publicada pela Quixote, a edição inaugurou uma iniciativa que está ganhando dimensão maior neste ano. Já, há dois meses, a jovem autora Bárbara Muniz estreou o projeto Scriptum Jovem com “Indo ao Futuro para Entender as Mães”, que é ilustrado pela artista plástica Leonora Weissmann.
Contratada pela Quixote, a escritora e editora Denyse Cantuária, radicada em São Paulo, observa que a ascensão dessa literatura acompanha a própria visibilidade e relevância desse público, que, para ela, vêm aumentando.
“Além de haver mais divulgação em torno dos programas que alcançam esses leitores, as crianças e os jovens têm continuamente alcançado mais voz na sociedade contemporânea. Esse talvez seja o traço mais importante desse contexto. Vale lembrar que, antigamente, a criança se calava diante do pai e da mãe. Hoje, elas não só têm o direito de voz, como também o de escolha”, observa Denyse Cantuária. “Cabe, diante disso, aos pais, e aos mediadores da leitura, como os professores, atentarem para opções de qualidade”, acrescenta.
O foco na valorização do texto literário, das imagens e do projeto gráfico é um norte para as duas casas belo-horizontinas. Júlio Abreu, editor da Scriptum Jovem, junto com o escritor Lino Albergaria, ressalta, por exemplo, a boa repercussão de “Indo ao Futuro para Entender as Mães”.
“Esse livro foi muito elogiado pelo projeto gráfico e pelas belas ilustrações de Leonora Weissmann. Isso é algo que conta positivamente para os nossos objetivos porque, como o selo ainda é muito novo, esse exemplo projeta a continuidade do trabalho, que deve consolidar a linha editorial, pautada pela qualidade que estamos buscando”, diz Júlio Abreu.
Ele antecipa que, embora ainda estejam em fase de finalização, dois próximos livros juvenis deverão vir a público nos próximos meses. “Estes serão mais voltados aos leitores adolescentes, com textos mais densos. Um já está praticamente fechado, falta acertamos ainda o ilustrador e o formato final; o outro está em fase de avaliação”, conta.
Responsável por estruturar a dimensão editorial da Quixote, ao lado do proprietário Alencar Perdigão, Denyse, por sua vez, adianta que nomes paulistanos e mineiros figuram como autores de edições futuras. Ela cita veteranos como José Arrabal, que tem mais de 50 títulos infantojuvenis publicados; Silvia Oberg; e a mineira Cristina Agostinho.
“Basicamente, nós pretendemos atuar em alguns eixos, publicando também os clássicos, como histórias de aventuras, mitos de vários países, biografias romanceadas de escritores latino-americanos e, ainda estamos estudando, mas a ideia é contemplar, além desses gêneros, o teatro”, detalha a editora. “Estamos afinando uma parceria com o artista gráfico Alexandre Jubran, que já trabalhou para a Marvel, e agora vai estrear na literatura infantojuvenil”, completa.
Criador do espaço Bartolomeu Campos de Queirós, há três anos, na Quixote, o qual reúne as publicações do autor mineiro, Alencar reforça que o segmento infantojuvenil corresponde ao segundo mais procurado na sua livraria. Dar atenção maior a esse público, na visão dele, ao mesmo tempo em que representa um passo relevante do ponto de vista editorial significa mais um estímulo ao fomento à leitura. “A formação do leitor e o gosto pelos livros deve muito ao contato das crianças com a literatura. Por isso é tão importante incentivar o hábito e possibilitar a circulação de obras pensadas de maneira inteligente para elas. Eu tenho notado que os pequenos amam os livros, e o importante é facilitar o acesso a eles”, diz Alencar.
Inspiração
Os autores Bárbara Muniz e Marcos Tota Novaes, como já fizeram outros escritores, se inspiraram nas relações familiares para compor seus livros. Enquanto a mineira levou ao papel uma história baseada na relação com a mãe, quando ainda tinha 9 anos, Marcos viu na filha o ponto de partida para “Pedacim’di’mim”
Fonte: O Tempo




