O município de Resende da Costa, no estado de Minas Gerais, orgulha-se de abrigar a Biblioteca Pública Municipal Antônio Gonçalves Pinto. Instituição centenária fundada em 1918, ela se consolida como um dos pilares culturais da região. A Bibliotecária Ingredy Chagas Egg (CRB-6/3463) é a responsável por dar vida a este espaço de difusão da cultura e do conhecimento na cidade.
“Meu primeiro contato com a biblioteca foi uma experiência marcante. Desde o primeiro momento, percebi que ela seria mais do que um espaço de trabalho, seria um lar cultural e intelectual, onde eu poderia ajudar pessoas a encontrar respostas, se inspirar e se sentir parte de uma comunidade. Essa sensação inicial se intensificou ao descobrir que se tratava de uma biblioteca centenária, que abriga obras raras e especiais, um lugar de memória, de encontro e de transmissão de saberes, onde cada obra, cada documento, cada detalhe do acervo carrega consigo histórias que atravessam gerações, revelando não apenas conhecimento, mas também a identidade cultural da comunidade”, afirma.
Trabalhar em um acervo que atravessou gerações é um grande desafio, exige persistência para tornar o acervo cada vez mais presente no cotidiano da população do município. Mostrando para todos a sua importância para garantir sua preservação e valorização.
O acervo da Biblioteca Antônio Gonçalves Pinto reúne obras raras e documentos históricos que exigem protocolos rigorosos de conservação. Além do desafio de integrar o espaço à rotina da comunidade, a preservação desses “tesouros” é uma missão complexa que demanda equilíbrio técnico. Para manter esse equilíbrio a Bibliotecária fala das medidas tomadas pela instituição.
“Para alcançar esse equilíbrio, são adotadas medidas práticas e estruturais. Uma delas é a existência de uma sala exclusiva destinada às obras raras e especiais, onde o acesso é restrito. O público que necessitar pode consultar alguns materiais mediante solicitação e agendamento, sempre em condições específicas e com acompanhamento durante todo o período da consulta. Dessa forma, garantimos que o contato com as obras seja possível, mas sem colocar em risco a integridade das mesmas,” conclui.

O Vice-Prefeito do município, Paulo Moura, destaca a importância da biblioteca centenária para a população da cidade. “O acervo é usado pela população e pelos alunos das escolas que vem até aqui fazer suas pesquisas, as Bibliotecárias estão sempre a disposição a todos que aqui vem para realizar suas pesquisas e destacar a grande importância da nossa biblioteca com um acervo tão vasto,” afirma.
O Secretário de Cultura, Esporte e Lazer, André Eustáquio, fala do dinamismo que a biblioteca tem com a comunidade. “Pessoas que vem aqui, que gostam de ler, fazer pesquisas, de socializar e usufruir do espaço da biblioteca também. É de caráter muito importante, a biblioteca tem essa responsabilidade de estar próxima a sociedade”, conclui.
O acervo único da biblioteca reúne também livros com autores regionais publicados pelos próprios moradores da comunidade, que nasceram ou vivem na cidade. Eles retratam o desenvolvimento da cidade, além de jornais locais, que funcionam como uma linha do tempo, neles encontramos relatos de acontecimentos políticos, sociais e culturais, além de curiosidades que ajudam a compreender como a cidade se transformou ao longo das décadas. Ingredy reflete sobre a importância de se ter materiais produzidos pelos próprios moradores do município.
“Esses materiais revelam a identidade cultural da cidade, preservam a essência da comunidade e dão voz a autores que, de forma apaixonada, narram o cotidiano, os costumes e os acontecimentos que marcaram a história da cidade. Mostrar isso ao público é essencial, porque nos ajuda a perceber que o acervo não é valioso apenas por sua raridade, mas também porque nos conecta com própria história”, reflete a Bibliotecária Ingredy.
Com o objetivo de romper a visão das pessoas sobre a biblioteca ser apenas um “museu de livros”, ela trabalha diariamente para manter o espaço como um ambiente vivo e pulsante na comunidade. Pensando em formas de alcançar o seu objetivo Ingredy fala da sua atuação diária na biblioteca.
“Procuro promover atividades culturais como saraus literários que dão voz a escritores locais, oficinas que despertam a criatividade, exposições que conectam diferentes gerações e encontros que transformam o espaço em centro de convivência cultural. Esses momentos não apenas aproximam a comunidade, mas também criam pontes, mostrando que o conhecimento é uma energia em movimento. Ao abrir espaço para a interação, a biblioteca deixa de ser vista como um “museu de livros” e se afirma como um ambiente de convivência, troca de saberes e aprendizado”, conclui.
O trabalho realizado em Resende da Costa exemplifica a importância vital do Bibliotecário como mediador cultural. Muito além da proteção de obras raras, a atuação de Ingredy humaniza o acervo e garante que o patrimônio histórico da cidade seja um direito acessível a todos.




