Em algumas instituições, Bibliotecários vêm sendo alocados com cargas horárias mínimas, muitas vezes reduzidas a 3h ou 4h diárias de trabalho presencial. Essa prática, além de desvalorizar o exercício da profissão, compromete diretamente o papel social, educativo e informacional das bibliotecas.
A pergunta que não quer calar é: o que se pode fazer em apenas duas ou três horas de trabalho em uma biblioteca escolar?
O tempo mal é suficiente para abrir o local, verificar o espaço, atender superficialmente algum usuário e, em alguns casos, responder um e-mail. Não há tempo para mediação de leitura, orientação informacional, planejamento de ações culturais, organização técnica do acervo ou construção de vínculos com a comunidade.
A atuação do Bibliotecário vai muito além do trabalho técnico. Ele planeja, forma leitores, cuida do acervo, elabora projetos, articula políticas de informação e participa da gestão da memória e da cultura. Reduzir sua carga horária é negar tudo isso — é esvaziar o espaço da biblioteca enquanto bem público essencial.
Biblioteca sem Bibliotecário em tempo integral é um espaço incompleto. Com poucas horas de trabalho, não se constrói presença, nem se garante permanência.




