
Enquanto projeto não sai do papel, leitores possuem poucas opções em Natal. Biblioteca Câmara Cascudo não tem data para ser reaberta (Foto: Emanuel Amaral)
Existe um grande projeto para transformar a capital potiguar em uma cidade leitora. Trata-se do Plano Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas de Natal, que começou a ser elaborado no ano passado, com previsão de ser implantado nos próximos dez anos. Mais de R$ 15 milhões, das pastas da Cultura e Educação, estão assegurados para serem utilizados até 2017 nas ações do plano. Uma delas é a construção de bibliotecas-parque nas quatro regiões de Natal. A ideia é inspirada nos exemplos de Bogotá e Medellín, na Colômbia. Nas duas cidades colombianas, a política de implantação de bibliotecas-parque virou referência em desenvolvimento social e enfrentamento à violência urbana.
Elaborado por um grupo de trabalho que reúne distintos segmentos ligados à leitura e literatura, o Plano Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas de Natal será implantado com base em sugestões apresentadas pelos próprios moradores da cidade, colhidas no ano passado junto aos mais diversos públicos, incluindo, obviamente, pessoas do meio literário. As ações ainda terão como subsídio uma pesquisa inédita na capital potiguar, também realizada em 2014, e que, entre outros dados, traz informações sobre hábito de leitura e renda da população.
A educadora Claudia Santa Rosa, representante do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) no grupo de trabalho que desenvolve o plano, entende que ler é condição para estar no mundo de forma crítica. “Por isso, defendo que a democratização da leitura e uma rede de bibliotecas dinâmica, viva, são imprescindíveis para isso acontecer”, diz ela, ressaltando que Natal tem uma grande carência de bibliotecas. “E as poucas que existem não são conhecidas pela população”, completa Santa Rosa.
Para piorar, a Biblioteca Pública Câmara Cascudo, em Petrópolis, vinculada à Fundação José Augusto (FJA), órgão de cultura do Governo do Estado, está sem funcionar há quase três anos, devido a problemas na estrutura do prédio – datado de 1969. Em maio de 2013, depois de um ano fechado, o equipamento começou, finalmente, a ser reformado. A obra, de R$ 1,5 milhão, já era para ter sido concluída, mas parou em setembro do ano passado, com 50% do serviço realizado, e ainda não foi retomada. O acervo de mais de cem mil exemplares, entre livros (muitos deles bem antigos), periódicos e fitas VHS e k-7, está guardado na própria biblioteca e, estranhamente, até o bibliotecário Márcio Farias, coordenador do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da FJA, está encontrando dificuldades para ter acesso a ele.
Segundo o próprio Márcio, a construtora responsável pela reforma passou a restringir a entrada de pessoas no local depois que entraram lá e roubaram algumas ferramentas da empresa. A última vez que o bibliotecário entrou no local foi em setembro do ano passado, quando a então governadora Rosalba Ciarlini fez uma visita às obras.
“Tinha muita poeira em cima dos livros, mas eles estavam em bom estado de conservação”, disse Márcio, explicando que havia duas opções de lugares para acomodar o acervo, mas todos eram piores do que a própria biblioteca.
Ainda de acordo com o bibliotecário, a previsão é de que a obra seja retomada ainda neste ano. A data precisa, porém, ele não sabe. “Precisaram ser feitas adequações na obra e o Ministério da Cultura tem que aprovar. A deputada Fátima Bezerra (PT) vai ter uma audiência com o ministro Juca Ferreira depois do carnaval para tratar desse assunto. Caso o parecer seja favorável, a empresa reinicia a obra, que deve ser concluída em 90 dias. Aí vamos precisar de mais dois meses para organizar tudo e reabrir”.
A nova Biblioteca Câmara Cascudo será toda climatizada, terá sala infantil, galeria de arte, auditório para 80 pessoas, Wi-Fi, café e plataforma para as pessoas deficientes terem acesso a todas as áreas. O acervo vai dobrar, passando de 100 mil exemplares para 200 mil, só que até agora a FJA recebeu apenas 500 exemplares, correspondente a 15% do volume solicitado. O recurso para a compra de livros é de R$ 55 mil.
Fonte: Tribuna do Norte | Itaércio Porpino




