
O Bibliotecário Carlos Alexandre de Oliveira (CRB-6/2762), do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) Campus Montes Claros foi um dos vencedores do “Prêmio UFMG Teses 2022”, pelo seu trabalho “A genealogia acadêmica da ciência da informação brasileira: análise dos currículos dos pesquisadores/docentes”, fruto do programa de doutorado em Gestão e Organização do Conhecimento, concluído em 2021, na Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/UFMG), sob orientação da professora Marlene Oliveira Teixeira de Melo.
O prêmio ocorre desde 2007 e foi criado com o objetivo de reconhecer o mérito das melhores teses de doutorado aprovadas nos cursos de pós-graduação da UFMG. A escolha dos trabalhos é feita pelos colegiados: cada um seleciona uma única tese entre as defendidas no ano anterior para serem contempladas com a outorga do diploma e concorrerem à premiação que é dividida entre Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde; Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; e Ciências Humanas, Sociais, Aplicadas, Linguística, Letras e Artes.

Carlos Alexandre, ladeado pelo pró-reitor Adjunto de Pós-graduação da UFMG, Eduardo Soares Neves Silva, e da reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida
A genealogia acadêmica da ciência da informação brasileira: análise dos currículos dos pesquisadores/docentes
Segundo Oliveira, “as contribuições científicas e acadêmicas de pesquisadores assumem muitas formas, nem todas são perceptíveis ou mesmo são consideradas nos processos de avaliação em que são submetidas ao longo das suas trajetórias acadêmicas. Ao explorar a genealogia acadêmica dos pesquisadores atuantes no âmbito da Ciência da Informação brasileira, esta pesquisa abriu uma janela que dá visibilidade para a forma em que o conhecimento é transmitido na área entre orientadores e orientandos. Algo pouco explorado no Brasil, em todas as áreas do conhecimento. Soma-se a isso, que estudos dessa natureza complementam aqueles que se utilizam de métricas tradicionalmente conhecidas para validar e classificar as contribuições acadêmicas e científicas dos pesquisadores”.
A premiação é um importante ganho profissional e que não se separa do lado pessoal, para o Bibliotecário, o sentimento mais marcante é o de gratidão. Segundo relata, fez uma retrospectiva do processo de doutoramento. “Foi um processo longo e desafiador. Então, quando recebi a confirmação que a minha tese foi selecionada e seria agraciada no Prêmio UFMG de Teses, senti uma enorme vontade de agradecer, agradecer a UFMG, ao IFNMG, aos amigos, aos familiares e colegas de curso. Sei da minha trajetória de vida e acadêmica (elas se confundem) tenho certeza que esta não foi uma conquista individual”.
O Bibliotecário revela que a realização do doutorado foi uma consequência das escolhas que fez ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional. “Na parte acadêmica, contribuiu ter identificado uma área de pesquisa desde a graduação e na parte profissional atuar na área de educação e contar com incentivos para a verticalização da formação fez toda a diferença”. Já em relação a tese, “a inspiração para pesquisar a genealogia acadêmica na ciência da informação no Brasil veio da possibilidade de contar a história dessa ciência a partir de outra perspectiva, além de colocar luz sobre aqueles ilustres pesquisadores que muito contribuíram para a formação de gerações de pesquisadores para esse campo do saber no Brasil”.
O estudo e os resultados da pesquisa podem ser “um bom referencial teórico para estudantes de graduação em biblioteconomia e da pós-graduação na área de Ciência da Informação, uma vez que apresenta dados relevantes sobre os precursores dessa área no Brasil”.
Resumo
A Ciência brasileira é desenvolvida nos laboratórios acadêmicos dos programas de pós-graduação existentes, principalmente, nas universidades federais. Lá formam-se os novos pesquisadores (mestres e doutores), que são absorvidos pelo próprio sistema científico do país. Nesse processo, destaca-se a atuação de pesquisadores que orientam os futuros mestres e doutores. Eles contribuem para o progresso científico, com a produção de novos conhecimentos científicos para a sociedade e com a formação de novas gerações de pesquisadores. O objetivo desta pesquisa é identificar e caracterizar os docentes/pesquisadores vinculados aos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCIs) conforme conceitos e métricas da Genealogia Acadêmica (GA). Estudos de GA exploram aspectos da construção e avaliação da árvore genealógica de um ou grupo de pesquisador(es), de campos científicos ou comunidades científicas. Para isso, foram analisados currículos da Plataforma Lattes. Foram selecionados 155 pesquisadores/docentes, vinculados aos PPGCIs – com cursos acadêmicos de mestrado e doutorado, e com registro de orientações acadêmicas no doutorado. Para análises dos dados, foram consideradas as seguintes categorias: perfil acadêmico, fecundidade, fertilidade, descendência, geração e ascendência acadêmica. Os resultados revelaram um grupo de 155 pesquisadores, que realizaram um total de 2.785 orientações acadêmicas em programas da Ciência da Informação. São 1.974 dissertações de mestrado e 811 teses no doutorado. No perfil acadêmico, os dados mostraram que esses pesquisadores, em sua maioria, são mulheres (56,77%); idade entre 50 e 59 anos (36,77%) e estão vinculados a instituições da região Sudeste (63,23%). No doutorado, a titulação foi obtida, principalmente, entre os anos de 2000 e 2009 (50,32%), na Universidade de São Paulo (22,58%) em programa da CI (41,94%). As análises de Genealogia Acadêmica (GA) constataram que Lena Vania Ribeiro Pinheiro (IBICT) é a pesquisadora com maior fecundidade acadêmica na área. A professora Maria Nélida González de Gomez, também do IBICT, apresenta os maiores índices para fertilidade, descendência e geração acadêmica. Dentre as instituições, a UFMG se destaca com os maiores índices de fecundidade, descendência e geração acadêmica. O IBICT registra maior índice de fertilidade acadêmica. Os ancestrais acadêmicos totalizam 193 pesquisadores ascendentes identificados. Desses, 14 pesquisadores destacam-se pela capacidade de gerar descendentes acadêmicos atuantes na formação de pesquisadores para a CI do Brasil. Atualmente, 25 pesquisadores ascendentes possuem vínculos ativos nos PPGCIs. Constata-se que a procedência acadêmica dos pesquisadores/docentes investigados é fragmentada, tendo como núcleo de origem 82 ancestrais acadêmicos distintos. Concluiu-se que a atividade de orientação acadêmica, no âmbito dos programas de pós-graduação stricto sensu, constitui uma etapa central para o desenvolvimento científico da Ciência da Informação no Brasil. A análise da GA dos pesquisadores/docentes possibilita o reconhecimento daqueles que mais contribuem com a formação de novos pesquisadores para CI e, consequentemente, para a formação da comunidade científica da área no Brasil.




