A rede de bibliotecas públicas de Belo Horizonte vive um novo ciclo com a nomeação da Bibliotecária Lília Virgínia Martins Santos (CRB-6/1776) para o cargo de Gerente de Bibliotecas e Promoção da Leitura e da Escrita da Fundação Municipal de Cultura (FMC). Formada há mais de 30 anos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lília possui mestrado em Ciência da Informação e uma trajetória marcada pela atuação em diferentes bibliotecas da capital mineira.
O convite para ocupar o cargo veio da presidenta da FMC, Sra. Bárbara Bof. Para Lília, “é um desafio que vejo como uma continuação da minha trajetória: trabalhar para ampliar o acesso à biblioteca e suas potencialidades. Agora, atuarei junto às equipes que há tantos anos já constroem essa realidade, somando esforços para fortalecer a rede de bibliotecas públicas municipais de Belo Horizonte.”
A rede de bibliotecas da FMC conta com 22 bibliotecas distribuídas em 17 centros culturais e mais de 200 mil exemplares, além de espaços como o Museu da Moda e o recém-inaugurado Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado. O acervo inclui ainda a recém-instalada Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (BPIJ).
Lília destaca que manter essa rede relevante exige planejamento contínuo, especialmente diante dos novos hábitos de consumo de informação. “Manter-se presente e relevante como um espaço de acesso democrático ao livro e à leitura é um desafio constante. O “Seminário Beagalê 2025”, encontro anual promovido pela Gerência de Bibliotecas, debateu temas relacionados à leitura, literatura, livros e bibliotecas. […] O desafio é pensar em modos de incentivar a leitura sem perder de vista a importância do equilíbrio entre a potencialidade da leitura e da interação social, ambas presentes nas bibliotecas, e a excessiva exposição aos dispositivos eletrônicos, que, de certa forma, isolam e impactam a cognição, a aprendizagem e a socialização de crianças, jovens e adultos”, afirma.
A Fundação é uma das responsáveis por espalhar a política cultural, espalhando e incentivando a literatura pelas diversas regionais. Questionada sobre a carência de profissionais, com 6 unidades sem Bibliotecários e a iminente aposentadoria de outra profissional, a nova gerente esclarece.
“A FMC está ciente da demanda e já está trabalhando para a realização de um concurso público a ser realizado, possivelmente, no próximo ano. Estamos trabalhando para a regularização de todas as bibliotecas geridas pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, não apenas na ocupação dos postos de trabalho, mas também na melhoria das condições de trabalho para os profissionais das bibliotecas”.
Além de Bibliotecária, Lília também é escritora com obras publicadas, como “Entre nós”, publicado pela Editora Mazza e “Adivinhe quem está na cozinha” da Editora Compor. Suas produções literárias são marcadas por representatividade negra. A profissional fala da importância de dar protagonismo às pessoas negras na literatura.
“A questão da representatividade negra na literatura é um tema que me mobiliza profundamente e me leva a uma reflexão urgente: até quando continuaremos consumindo uma literatura que não dialoga com quem somos, que ignora nossas realidades e apaga nossas vivências? Eu, como mulher negra, penso na criança que fui e de como não me reconhecia na maioria dos livros que li, desde a infância. Penso que agora é hora de reverter essa lógica. É tempo de dar protagonismo aos nossos corpos, de falar com a nossa gente — e com todos — para afirmar, em alto e bom som, que somos os autores e criadores das nossas próprias narrativas e que nossas histórias merecem e precisam ser contadas”, afirma a Bibliotecária.
Adquira seu exemplar
Para quem se inspirou na trajetória da nova Gerente, suas produções literárias estão acessíveis ao público. Os livros “Entre nós” e “Adivinhe quem está na cozinha” podem ser adquiridos em meio virtual, com valores médios de R$ 64,00 e R$ 66,50, respectivamente.
Adquirir essas obras é uma forma direta de apoiar a literatura que promove a representatividade e a complexidade das narrativas brasileiras.




