
O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região Minas Gerais e Espírito Santo (CRB-6) inicia hoje uma sequência de histórias sobre Bibliotecários e Bibliotecárias que desenvolvem projetos inovadores em bibliotecas, além de compartilhar o trabalho empreendedor de alguns profissionais.
O CRB-6 convida você a conhecer o primeiro perfilado: Bruno Moreira de Moraes (CRB-6/3270).
Do colégio a fundação

Bruno encontrou na biblioteca um porto seguro / Foto: Arquivo Pessoal
Bruno chegou à cidade mineira de Ipatinga, em 2015. Debaixo dos braços, levava uma muda de roupas, a carteira e a ansiedade de, provavelmente, estar a um passo de conseguir seu primeiro emprego em uma biblioteca escolar. Ele ficou sabendo da vaga no então Colégio São Francisco Xavier (CSFX) por uma amiga que conheceu no curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
“Fazia tempo que estava procurando por emprego em Belo Horizonte, mas pelas entrevistas fui percebendo que meu perfil não se encaixava nas vagas disponíveis. Foi aí que uma amiga me falou sobre a oportunidade em Ipatinga. Consegui o emprego em 2015 e fui efetivado um ano depois”, conta Bruno.
De início, o Bibliotecário enfrentou dificuldades com o público da biblioteca, já que havia mais de um ano que os alunos não eram atendidos por profissionais formados em Biblioteconomia. A insatisfação era clara, mas, ao contrário do esperado, o recém-contratado não temeu.
“Pela biblioteca estar em uma cidade do interior, acho que muitas pessoas não sabiam o que era a figura do Bibliotecário, apesar da sensação de que algo estava faltando no gerenciamento do espaço. Quando eu cheguei, minha primeira preocupação foi ensinar o que um Bibliotecário faz e a sua importância na biblioteca. Com o tempo, pude ver a mudança no pensamento das pessoas”, pontua.
Em 2016, o mesmo ano em que o Bibliotecário assumiu o cargo efetivamente, o Colégio São Francisco Xavier (CSFX) foi transformado em fundação pela Usiminas. Com a mudança, a instituição de ensino passou a englobar também uma faculdade e Bruno começou a atender alunos dos níveis fundamental, médio e superior. Logo o desafio foi encarado como oportunidade para desenvolver projetos.
“Nesses seis anos, desenvolvi muitas iniciativas. Em 2016, planejei um evento sobre a Semana do Livro; logo depois, juntamente com os professores, criei um projeto sobre sexualidade para a aula de Ciências dos alunos do 9º ano. Nessa iniciativa, os alunos inventavam vários tipos de conteúdo sobre o assunto, um deles até criou um jogo! Além de ser um sucesso no desenvolvimento, o projeto também ensinou aos alunos a importância de pesquisar sobre o tema em fontes confiáveis”.

O trabalho de Bruno na FSFX não se restringe aos livros: o acolhimento, a tecnologia e até mesmo a música circundam o seu fazer Bibliotecário / Foto: Arquivo Pessoal
A animação de Bruno também se mostra em outros trabalhos inovadores desenvolvidos por ele à frente da biblioteca da Fundação São Francisco Xavier (FCSFX). Para o ensino fundamental, o Bibliotecário criou ainda o “Africanidades em pauta”. A iniciativa baseia-se em um site no qual os alunos de Geografia do 9º ano postam conteúdos diversos sobre as particularidades do continente africano.
Bruno também investiu em um projeto para gravação de resenhas de livros em inglês para o mesmo ano escolar. “A professora de língua estrangeira queria fazer algo diferente na aula e me procurou. Pensamos em propor aos alunos que gravassem as resenhas dos livros em inglês. Esses áudios seriam colocados nas obras e poderiam ser ouvidos por meio de QR codes. As gravações aconteceram, mas os estudantes ficaram envergonhados de colocá-las nos livros. Mas o projeto valeu como uma tarefa”.
Contudo, para desenvolver tantas ideias é preciso investimento. Pensando nisso, Bruno desenvolveu um artigo inédito no Brasil para analisar se a frequência de leitura interferia nas notas gerais. Ao analisar os resultados, confirmou o que já desconfiava: a frequência de leitura interfere, sim, na pontuação dos alunos.
Além de confirmar a importância da biblioteca na Educação, o relatório se tornou uma ferramenta relevante nas ações pedagógicas da instituição de ensino. Bruno exemplifica: “Se a professora percebe que um aluno está com notas abaixo da média, ela pode mostrar aos responsáveis que uma das razões desses resultados é a falta de leitura e aconselhar que o estudante leia mais”.
Tanto esforço levou a resultados positivos, como o aumento de empréstimos anuais na biblioteca e mais envolvimento dos alunos no espaço, que se deu, em parte, pelas discussões sobre assuntos do momento que aconteciam na biblioteca antes da pandemia do novo coronavírus e a capacidade de Bruno de aproximar também os professores da biblioteca.
Como todo Bibliotecário, Bruno também é responsável pelas tarefas de rotina da biblioteca, como processamento técnico, planejamento de eventos culturais e organização geral do espaço. Mas ele afirma que, dentre todas as ações que desenvolve, a mais importante é o acolhimento aos alunos. “Busco deixar claro que a biblioteca é um espaço de todos. Os estudantes podem ir até lá, conversar sobre assuntos diversos e se sentirem bem. Não estou lá para julgar, mas para ouvir”.
A trajetória de Bruno na FSFX é resultado de esforço e muito amor pela profissão / Foto: Arquivo Pessoal
Participe
Você é Bibliotecário e desenvolve projetos relevantes no seu trabalho? Envie para o CRB-6 seu relato e fotos suas e das iniciativas. Sua história pode ser a próxima a ser contada aqui no Boletim. Para participar, é necessário que você esteja adimplente e regular com o Conselho.





