
O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região Minas Gerais e Espírito Santo (CRB-6) dá continuidade à série focada em destacar o trabalho de Bibliotecários que estão fazendo a diferença. Beatriz Pirola (CRB-6/600ES) é a perfilada da vez.
O amor aos livros com continuidade da vida
Beatriz passou parte da vida adulta como funcionária pública em um dos bancos mais tradicionais do Brasil. Os anos entre os números não a afastaram do carinho que tem pelas letras: quando chegava do trabalho, sempre havia um pequeno acervo de livros esperando. Aos 42 anos, ela se aposentou do funcionalismo público e virou a página de sua história, dando início à sua graduação em Biblioteconomia na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Aos 45 anos, a então estudante se impressionou com as possibilidades oferecidas pela profissão e quis fazer a diferença. “A área é muito mais do que algumas pessoas imaginam. Por isso, eu me dediquei a me tornar uma profissional dinâmica, focada em transformar o espaço em um local atraente para os usuários”, afirma Beatriz.
Em 2008, ela deixou a capital do Espírito Santo, Vitória, e voltou para a sua cidade natal, São Mateus, no litoral norte capixaba. No município histórico, prestou concurso público e passou em primeiro lugar para atuar na Biblioteca Pública Municipal.
“Até a minha chegada, o espaço não tinha um profissional registrado no CRB assim havia muito que fazer. Foquei na organização dos livros, que eram muitos, inclusive, algumas obras raras estavam juntas com livros de acervo corrente. Coloquei-as em um espaço separado e, parte delas, foi registrada na Biblioteca Nacional”, conta.
A revitalização do espaço realizada pela Bibliotecária foi confrontada diversas vezes pelas chuvas que invadiam a biblioteca ao ponto de causar a perda de livros. Isso acontecia porque o centro histórico de São Mateus está localizado em uma área de beira rio, considerada periférica pelos moradores, que, temerosos, deixavam de visitar o espaço. “Devido a isso, solicitamos à Prefeitura para que a biblioteca fosse realocada. Depois de muita luta, conseguimos”.

Beatriz com a escritora Bernadete Lira e o historiador Eliezer Nardoto em evento da biblioteca / Foto: Arquivo Pessoal
Com mais usuários aparecendo, Beatriz considerou importante desenvolver projetos para atrair e manter a presença dos moradores no local. Entre as iniciativas, ela destaca três: “Em 2009 e 2010, organizamos um encontro literário durante uma semana. O evento trouxe escritores talentosos para conversar sobre literatura, como a Ana Maria Machado e o Rubens Jardim. O evento trouxe uma cara diferente para a cidade, sabe? Os moradores se envolveram, foi lindo. Outro momento que me marcou foi a parceria com o Projeto Araça, que trabalha para ajudar a população de rua. Essas pessoas começaram a frequentar a biblioteca e a consumir livros”.
A Bibliotecária complementa “foi um projeto de extensão da biblioteca, levamos o livro para a Praça da Rodoviária. Foi um sucesso! Enquanto passageiros esperavam o ônibus, eles liam. Depois, levamos a iniciativa ao Mercado Municipal no centro da cidade, onde os feirantes faziam suas carteirinhas de leitores e pegavam livros emprestados. E, por último, o projeto chegou ao balneário na Ilha de Guriri”.
A rotina profissional de Beatriz pode ser considerada um projeto de destaque em andamento. Apesar dos anos passados após a graduação, a Bibliotecária continua buscando ser uma profissional diferente. Ela edita livros para autores desde que eles doem as obras para a biblioteca, doem obras de seu acervo pessoal para o local e, às vezes, até comprem alguns títulos, se percebe que algum usuário não encontrou o que procurava. Quando excursões escolares aconteciam na biblioteca, Beatriz procurava apresentar mais do que o acervo aos estudantes, ela queria mostrar o mundo que se abre através das histórias contidas em cada livro.
Todo esse esforço é guiado pelas palavras que, segundo a Bibliotecária, definem seu trabalho: “Amor, dedicação e resiliência”.
Siga a página de Facebook da Biblioteca Pública Municipal de São Mateus.
Confira as histórias que contamos até aqui
Bruno Moreira de Moraes (CRB-6/3270), da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), em Ipatinga (MG); Maria Clara Fonseca (CRB-6/942), da Biblioteca Pública Municipal Viriato Corrêa; e Saulo Pereira (CRB-6/834ES), da Biblioteca Municipal de Marataízes, têm narrativas diferentes, mas unidas por algo em comum: o amor pela Biblioteconomia.
Leia cada uma delas.
“As várias faces de um Bibliotecário”: conheça a história de Maria Clara Fonseca
Participe
Você é Bibliotecário e desenvolve projetos relevantes no seu trabalho? Envie para o CRB-6 o seu relato, fotos suas e das iniciativas. Sua história pode ser a próxima a ser contada aqui no Boletim. Para participar, é necessário que você esteja adimplente e regular com o Conselho.




