Conciliar a maternidade com uma rotina profissional já é, por si só, um exercício de equilíbrio. Para Alessandra Dutra Ribeiro Roza (CRB-6/466ES), essa jornada foi escrita com capítulos intensos, desafios reais e momentos de beleza silenciosa entre prateleiras e abraços.
Nascida em Itapemirim, moradora de Cariacica e atualmente atuando em Vitória, todas cidades capixabas, Alessandra soma mais de duas décadas de dedicação à Biblioteconomia. Mãe de dois filhos e avó de uma menina apaixonada por livros, ela viu sua trajetória pessoal e profissional se entrelaçarem de forma transformadora — sempre guiada pela leitura, pela empatia e pelo cuidado.
Durante 17 anoso, ela atuou como Bibliotecária universitária. A rotina era intensa, mas contava com uma vantagem: morava perto do trabalho e a filha estudava na mesma instituição. “Isso foi um fator positivo para que eu pudesse acompanhar as atividades escolares dela”, relembra. O cenário mudou com a chegada do segundo filho. “A rotina ficou bem acelerada. Contava com a ajuda da minha filha, meu marido, uma babá com carga horária reduzida e vizinhos solidários”.
Hoje, com os filhos mais velhos, a carga é diferente. “É bem mais suave trabalhar sem a preocupação de deixar crianças em casa.”
Ser mãe transformou o ofício
Quando se tornou Bibliotecária, sua filha Evelyn já tinha sete anos. Ainda assim, Alessandra afirma que a maternidade mudou sua forma de atuar. “Ser mãe/Bibliotecária pra mim foi enriquecedor. Contar histórias para meus filhos antes de dormir foi meu laboratório.” O hábito rendeu frutos: Evelyn hoje é veterinária e apaixonada por ficção. Matheus, o filho mais novo, é estudante de Direito e um leitor ávido. “Ele prefere ganhar livros a roupas. A irmã até brinca: ‘roupa que se dane, o importante é ganhar livros!’”, conta entre risos.
O amor pelos livros atravessou gerações. Sua neta Mariana, de 9 anos, já é leitora assídua da biblioteca escolar. “Ela diz que sou uma inspiração para ela como leitora.” E, de fato, a influência de Alessandra vai além dos laços familiares — seus sobrinhos também cresceram ouvindo suas histórias.
Biblioteca como espaço vivo de aprendizagem
Desde 2019, Alessandra atua na rede municipal de ensino de Vitória, após sua longa trajetória no ensino superior. Passou por contratos em Cariacica e retornou à capital capixaba, onde hoje trabalha na Escola Municipal de Ensino Fundamental Irmã Jacinta Soares de Souza Lima, no bairro Monte Belo.
Lá, transforma a biblioteca em espaço de encantamento. Com alunos do 1º ao 9º ano, dedica atenção especial às turmas dos anos iniciais, utilizando contação de histórias, ilustrações e artefatos visuais para despertar o desejo pela leitura. “Acredito que, ilustrando as histórias, consigo criar uma motivação efetiva.”
Atualmente, lidera o projeto “Caminho das Águas no Brasil”, em parceria com a Editora Bela Vista Cultural (SP). O trabalho é interdisciplinar: cada turma explora um capítulo do livro e a biblioteca contribui com a contação de histórias. A culminância do projeto, em junho, será no Dia da Família na Escola, com estandes, fotografias, artesanatos e exposições relacionadas à água. “Em março, como não havia livros sobre hidratação na biblioteca, escrevi uma história eu mesma, para ensinar a importância de tomar água. As crianças adoraram.”
Entre sonhos e renúncias
Conciliar maternidade e carreira foi desafiador, mas Alessandra destaca um ponto especialmente difícil: a atualização profissional. “Buscar ampliar o currículo exige tempo e comprometimento, assim como os filhos. Isso refletiu na saúde, no sono, no emocional. Ainda sonho em fazer um mestrado. No momento certo.”
Apesar das dificuldades, ela deixa uma mensagem potente para outras mulheres da área:
“Mãe, Bibliotecária, mulher: você carrega muitas histórias, não só nas estantes, mas no coração. Não se cobre perfeição. Sua vivência como mãe enriquece sua prática profissional com empatia, sensibilidade e força. Siga firme. Seu trabalho importa — na vida dos seus filhos e na de muitos leitores”.
E assim, entre livros, projetos e histórias contadas na ponta da emoção, Alessandra segue escrevendo — não em páginas, mas em vidas.




