Matéria de capa da Revista Nova Escola celebra os 173 anos de nascimento de um dos maiores dos escritores brasileiros de todos os tempos: Machado de Assis
Para homenagear o maior nome da literatura nacional no centenário de sua morte, 2008 foi chamado de Ano Nacional Machado de Assis. A idéia é aproximar ainda mais os brasileiros do pai de personagens como Bentinho, Capitu, Brás Cubas e uma infinidade de outros que fazem parte de nossa cultura. Dezenas de homenagens e eventos estão programados, como ciclos de palestras e debates em universidades de todo o país, uma exposição no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e especiais de TV, incluindo uma minissérie na Globo. Além disso, as obras completas do autor estão sendo relançadas, assim como publicações que se propõem a estudá-lo mais a fundo. Com o escritor tão em evidência, abre-se uma boa oportunidade de apresentá-lo aos alunos – mesmo aos das séries iniciais.
Para muitos professores, pode parecer impossível trabalhar nessa faixa etária os textos de Machado – considerados difíceis e muito refinados. Sem contar os enredos, antigos demais para agradar aos pequenos e jovens leitores. Um engano. A obra machadiana é extensa e inclui uma série de contos perfeitamente compreensíveis do 3º ano em diante, além de romances saborosos, com uma linguagem bem dinâmica, rica em ironia e que prende a atenção das classes do 6º ao 9º ano. “Autores como ele têm um papel muito importante na formação de leitores literários e devem ser apresentados desde os primeiros anos do Ensino Fundamental”, garante João Luís Ceccantini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
É por meio dos clássicos, como é o caso dos livros de Machado de Assis, que crianças e adolescentes passam a compartilhar referenciais lingüísticos, artísticos e culturais que permitem a eles estabelecer vínculos com as gerações anteriores e se integrar à cultura. Clássicos, como definiu o escritor italiano Italo Calvino, “são aqueles livros que chegaram até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes)”.
A qualidade da narrativa, a complexidade com que conf litos são nela expostos, a força das idéias que transmitem e os questionamentos que suscitam dão esse status a muitos dos escritos de Machado. O autor se destaca ainda por conseguir unir o erudito ao popular de forma única. Ele revolucionou a cultura nacional. Mulato, gago e epilético, em pleno período escravocrata, se tornou admirado e respeitado nos mais nobres salões da corte, contando histórias que ajudaram a moldar a noção que temos do que é ser brasileiro (leia mais sobre ele no quadro da página ao lado). Se atualmente é visto como um escritor erudito, um medalhão inalcançável, em sua época Machado era popular.
Fonte: Revista Nova Escola





