A escolha pela Biblioteconomia nem sempre é um caminho linear. Para a Bibliotecária Dândara Ravaiano Franklin Soares (CRB-6/4327), a trajetória começou com uma sugestão despretensiosa de um instrutor e a curiosidade de entender como o acesso ao conhecimento molda vidas. Após o final do primeiro semestre da faculdade ela teve certeza que tinha feito uma boa escolha, a profissional relembra esse período.
“Foi nesse período que comecei a me encantar pela área, principalmente ao compreender como a leitura e os livros são fundamentais para tantas áreas da vida e do conhecimento. Esse fascínio por entender o papel da informação e do acesso ao conhecimento foi o que realmente me fez perceber que eu me identificava com a Biblioteconomia”, afirma.
Logo após a graduação, ao observar crianças visitando a biblioteca em horários rígidos, a Bibliotecária percebeu que o espaço poderia oferecer mais que uma leitura conduzida. A partir dessa vivência, ela começou a perceber que poderia explorar outras formas de conduzir a leitura. Dândara fala de como foi marcante receber os feedbacks das crianças.
“Cada sorriso, cada palavra de agradecimento e todo o carinho que recebia delas foram muito marcantes para mim. Foi nesse momento que percebi o quanto estar dentro de um ambiente de biblioteca podia ser algo realmente mágico. A sensação de poder ensinar, incentivar a imaginação e aproximar as crianças da leitura me mostrou que eu estava no caminho certo dentro da profissão”, conclui.
Atuando na educação infantil, ela defende que o Bibliotecário é peça-chave na formação integral do aluno. O desafio diário é cultivar a imaginação de forma divertida, utilizando um “arsenal” de criatividade que inclui música, fantoches e histórias interativas. A Bibliotecária fala de como enfrenta esse desafio diário.
“No caso da educação infantil, por exemplo, o trabalho envolve muito planejamento de atividades, contação de histórias, uso de recursos lúdicos e a criação de experiências que façam as crianças se interessarem pela leitura de forma natural. Muitas vezes as pessoas se surpreendem ao perceber que a biblioteca pode ser um espaço tão dinâmico, cheio de atividades e possibilidades, e não apenas um lugar silencioso cheio de estantes”, afirma.
Muita gente ainda associa o trabalho do Bibliotecário apenas à organização física das estantes. No entanto, na educação infantil, a técnica se une à sensibilidade. A profissional destaca que a curadoria de conteúdo é um dos processos mais rigorosos, selecionar o que é significativo para cada faixa etária exige planejamento e uma visão estratégica do que se quer ensinar através do brincar. Esse esforço visa romper a barreira do “lugar do silêncio”. Para ela, a biblioteca deve ser vista como um ambiente vivo e pulsante.
Dândara deixa um recado para a população que ainda vê a Biblioteconomia com um viés estereotipado. “Gostaria que as pessoas soubessem que não somos aquele estereótipo de quem apenas tira pó de livros ou fica pedindo silêncio o tempo todo. Nosso trabalho vai muito além disso. Somos profissionais que ajudam a organizar o conhecimento e a fazer com que a informação realmente chegue até as pessoas. Nosso papel não se limita apenas ao ambiente da biblioteca; podemos atuar em muitos contextos diferentes”, conclui.




