Nem sempre uma cidade nasce no mapa de alguém pelo berço. Às vezes, ela se revela aos poucos, entre afazeres, projetos e laços que vão se enraizando com o tempo. Para Nádia Lage de Medeiros Alves (CRB-6/2089), bibliotecária e defensora incansável do poder transformador da leitura, Itaúna (MG) se tornou mais do que um endereço: virou casa, missão e pertença.
A indicação de Nádia ao título de cidadã honorária, concedido pela Câmara Municipal, reconhece sua trajetória como servidora pública e o trabalho coletivo e apaixonado que desenvolve ao lado dos também Bibliotecários Luciana Mendes (CRB-6/3101) e Fernando Gomes (CRB-6/3571). Juntos, eles trilham caminhos firmes na valorização da Biblioteca Pública Municipal Engenheiro Osmário Soares e na construção de uma rede automatizada de bibliotecas escolares públicas, que busca democratizar o acesso ao livro e à informação desde os primeiros anos escolares.
“Mais do que uma homenagem pessoal, encaro esse título como um símbolo de pertencimento e de compromisso renovado com as causas e os valores que compartilho com esta cidade”, afirmou Nádia, emocionada com o reconhecimento.
Formada em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com especializações pela PUC Minas e pelo UNI-BH, Nádia soma passagens por diversas instituições públicas e privadas, como a Fundação Hemominas, a Polícia Civil de Minas Gerais, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Mas foi em 2022, ao assumir um cargo público em Itaúna, que sua história se entrelaçou de forma definitiva com o município. Ao lado do marido e do filho, deixou Belo Horizonte para iniciar um novo capítulo, que, como tantos livros que ajudou a organizar, vem sendo cuidadosamente escrito com propósito e afeto.
“Minha relação com a cidade é de afeto profundo e de compromisso constante. Desde que cheguei aqui, fui acolhida de uma forma muito especial, e isso me motivou a retribuir com trabalho, dedicação e envolvimento em projetos que realmente fizessem a diferença”, contou.
Hoje, atua diretamente em escolas da rede municipal, levando seu conhecimento e sua crença no poder dos livros como ferramenta de formação cidadã. Defende que a leitura deve começar na primeira infância e ser cultivada como um processo contínuo e multidisciplinar, essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico.
“A Biblioteconomia se revelou muito mais do que uma profissão — tornou-se um propósito. Ela me ensinou a ver o conhecimento como direito, não como privilégio”, destacou.
Além de sua atuação técnica, a biografia de Nádia revela uma profissional que acredita na força da educação, da cultura e da literatura como pilares de transformação social. Em Itaúna, participou de diversas ações, como campanhas de doação de livros, rodas de bate-papo com autores locais, oficinas escolares e saraus literários — sempre com a missão de formar leitores e fortalecer vínculos entre escola, biblioteca e comunidade.
Sua frase de inspiração, “Quem lê mais escreve melhor e pensa maior”, não é apenas um lema, mas o fio condutor de uma vida dedicada a abrir janelas para o conhecimento.
“Espero que essa homenagem inspire outros Bibliotecários a seguirem firmes, criativos e engajados, mesmo diante dos desafios. Que nunca esqueçamos a importância do nosso papel como agentes de transformação”, revela.
Com a homenagem, Itaúna reconhece a competência técnica da profissional e sua entrega humana e afetiva. Afinal, cidadania também é isso: adotar um lugar como seu e transformá-lo com aquilo que se tem de melhor.




