Há seis anos, Letícia Aurora de Almeida Grasseli (CRB-6/905ES), Bibliotecária formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), chegou a uma biblioteca praticamente desativada. “A porta nem abria”, lembra. Hoje, o espaço é centro de atividades culturais e educativas em Guarapari (ES) e esse salto tem tudo a ver com o trabalho que ela vem desenvolvendo desde que assumiu o cargo na Prefeitura, por meio de uma vaga aberta pelo Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6).

Quando chegou à Biblioteca Pública Municipal Professor Silva Mello, Letícia encontrou um espaço esquecido e um cenário de descrença sobre o papel da profissão. “Circulava a ideia de que não fazia sentido manter o funcionamento ou a presença de um profissional formado. Foi preciso fazer um trabalho de base para mostrar à população o papel da biblioteca e do Bibliotecário”, afirma.
Aos poucos, ela começou a divulgar a biblioteca na imprensa local, organizar eventos, criar parcerias e fortalecer os laços com as escolas da região. O acervo, até então não catalogado, passou por um processo completo de informatização e hoje é gerenciado pelo sistema Biblivre.
Mas a transformação não parou por aí. A biblioteca passou a sediar atividades que integram diferentes áreas da cultura e da educação, como a semana do livro infantil, sessões de contação de histórias e ações com projetos esportivos realizados no Complexo Cultural e Esportivo Maurício Santos, onde está instalada. “A gente procurou construir um ambiente transdisciplinar, mostrando que a biblioteca não é um espaço isolado. Trabalhamos com professores de capoeira, xadrez, balé e dança. A ideia é integrar.”

Antes de Guarapari, Letícia passou por bibliotecas escolares, técnicas, especializadas e também atuou no setor privado. Mas foi no serviço público que encontrou sua realização. “Na escola pública, em Vila Velha, eu vi sentido na profissão. Comecei a trabalhar com uma comunidade muito carente e percebi como a biblioteca poderia impactar a vida das crianças. Uma mãe me procurou para dizer que o filho passou a preferir os livros à rua. São memórias que me marcaram.
A Bibliotecária também participou do projeto “Lugares de Ler”, realizado pela Secretaria de Cultura do Estado (SECULT-ES) em parceria com o Instituto Agir, voltado à criação de bibliotecas comunitárias em áreas vulneráveis. “Foi uma experiência enriquecedora. Trabalhei como agente cultural e de leitura em uma área nova para mim. Construímos um acervo com a comunidade e fortalecemos o vínculo com a leitura”, relata.
Para Letícia, a Biblioteconomia no Espírito Santo tem se renovado para acompanhar as mudanças da sociedade. “A área teve que se mostrar relevante diante dos avanços tecnológicos. Hoje, o Bibliotecário pode atuar em bibliotecas escolares, públicas, universitárias, arquivos, ambientes digitais e projetos culturais. Mas ainda enfrentamos resistências, como a ideia de que qualquer professor pode ocupar a função.”

Ela também destaca a importância do CRB-6 nesse processo. “O Conselho tem promovido ações importantes, dentro dos limites que lhe cabem. Tem se articulado com dirigentes públicos e promovido debates e eventos, como o Dia do Bibliotecário, que tem sido um espaço de troca.” Letícia diz que sempre contou com bom atendimento do Conselho, tanto para esclarecimentos quanto para orientações.
O reconhecimento da profissão, segundo a Bibliotecária, também passa pela postura de quem a exerce. “O nosso nome é a nossa reputação. Em uma cidade pequena como Guarapari, a forma como a gente atua e se apresenta influencia diretamente a imagem da profissão. As pessoas ainda se surpreendem quando digo que sou Bibliotecária. É como se descobrissem um novo mundo.”




