
O presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), Álamo Chaves (CRB-6/2790), participou, no dia 27 de abril, do Plantão da Cidade, programa da Rádio Itatiaia, comandado pelo jornalista Eustáquio Ramos. Tema da entrevista, o Dia Mundial do Livro, comemorado no dia 23, abriu brecha para uma entrevista sobre os fatores pelos quais os jovens leem menos hoje em dia.
Para o presidente, de acordo com as pesquisas mais recentes, o índice de leitura é menor nas camadas com menor poder aquisitivo. “É um fator cultural. O brasileiro, em geral, não tem hábito de leitura. No final das contas, o maior prejudicado é a criança, que, muitas vezes, cresce e se torna um adulto que não gosta de ler.”
Álamo também apontou que o alto preço dos livros pode ser um fator para pessoas de baixa renda não terem acesso a livros. A partir daí, deu-se destaque a necessidade de as escolas públicas fazerem esse trabalho. O presidente explica que os pais, cujos filhos estudam na rede pública, esperam que a escola cumpra o papel de incentivar o hábito da leitura. Entretanto, na maioria das vezes, isso não acontece. “Boa parte das escolas estaduais de Minas Gerais não tem biblioteca. E as que têm, não contam com a presença de um Bibliotecário. Vira um depósito de livros, não há um profissional adequado para fazer a gestão dos materiais, dos livros… contação de histórias.”
“Já os Bibliotecários da Prefeitura de Belo Horizonte ficam um dia da semana em cada escola e não conseguem fazer um trabalho minimamente adequado. Muitos Bibliotecários da PBH estão adoecidos, muitos com depressão, então tudo isso influência no incentivo à leitura, que acaba não acontecendo”, continuou Álamo.

Apesar de parecer que, com o mundo digital como facilitador no acesso aos livros, as pessoas estão lendo mais, não é bem assim. “O acesso não significa mediação. Você tem o acesso, mas você precisa ter uma pessoa para ensinar a chegar às fontes, para pesquisar o que é realmente importante”, defendeu Álamo.
Em seguida, ele pontuou que a internet está cheia de portas. “Quem vai ensinar as crianças a abrir as portas certas? O Bibliotecário, o professor, os pais em casa. Se isso não for feito, mesmo com o celular com todas as facilidades, a criança vai parar nos jogos, coisas com violência, pornografia, qualquer outra coisa, menos a leitura. Sem incentivo é muito difícil uma pessoa se tornar um leitor”, finalizou o presidente do CRB-6.
Para assistir a entrevista, acesse o canal da Rádio Itatiaia no YouTube (a partir de 49:47 minutos).




