Data de publicação: 25/01/2013
Por Lucila Cano
A biblioteca comunitária surge da iniciativa de cidadãos comuns. Começa pequena e com poucas doações. Logo se torna ponto de encontro da comunidade.
Realização do sonho de quem descobriu o prazer da leitura e tem ainda mais prazer em partilhar conhecimento, a biblioteca comunitária exerce papel de integração social e cultural. Criada por gente da comunidade e onde a comunidade está, atrai leitores de todas as idades que não têm medo de expor suas deficiências. Eles estão em casa.
Uma ação pró-leitura
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil/2012, do Instituto Pró-Livro, revelou que o brasileiro lê em média quatro livros por ano e apenas metade da população pode ser considerada leitora.
Segundo o Inaf 2011(Indicador de Alfabetismo Funcional), a cargo do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa, 26% da população entre 15 e 64 anos têm domínio pleno da leitura e da escrita.
Em dezembro de 2012, a ONG Crescendo Feliz abriu sua sexta biblioteca comunitária. A Biblioteca Léo do Peixe integra o projeto Um Pé de Biblioteca e homenageia o pescador já falecido que criou um clube de leitura para crianças e adolescentes do bairro Cidade Jardim, na periferia de Pirapora (MG).
Idealizada por um grupo de profissionais cariocas, a organização nasceu de um projeto esportivo para crianças com necessidades especiais. Em 2004, estendeu o trabalho ao desenvolvimento socio-intelectual e, desde 2009, investe na abertura de bibliotecas com o apoio de entidades, empresas, programas sociais e moradores das comunidades.
As cinco primeiras bibliotecas da ONG funcionam no Rio de Janeiro, nas localidades de Mesquita, Biquinha, Rosal, Bom Jesus do Itabapoana e Itaguaí.
Muitos polos de leitura
Em 15 de janeiro, o Instituto C&A divulgou os projetos selecionados no edital de apoio a polos de leitura do programa Prazer em Ler. Concorreram 168 inscritos de 18 Estados e do Distrito Federal.
Os projetos receberão R$ 250 mil cada um e serão desenvolvidos entre janeiro e dezembro deste ano. Ao final, poderão ser renovados por mais dois anos, com recursos entre R$ 200 e R$ 250 mil, conforme o monitoramento e avaliação do programa. No total, o investimento de 2013 será de R$ 4 milhões entre recursos financeiros e apoio técnico.
O programa Prazer em Ler promove a formação de leitores por meio de ações continuadas junto a polos de leitura. Os polos denominam projetos elaborados, geridos e desenvolvidos coletivamente por ao menos cinco instituições sociais de base comunitária que atendam crianças e adolescentes e sejam articuladas entre si. Assim, é possível ampliar o alcance de ações, seja em um bairro, cidade ou região.
Desde que o programa foi criado em 2006, 100 bibliotecas comunitárias em 56 municípios de 22 Estados já foram apoiadas. Anualmente, isso significa levar o prazer em ler a 40 mil crianças, 32 mil adolescentes e 26 mil integrantes da comunidade em geral.
Volnei Canônica, coordenador do programa Prazer em Ler do Instituto C&A, diz que “o apoio do instituto se dá por investimento financeiro e suporte técnico nos eixos Espaço, Acervo, Mediação, Gestão, Incidência em Políticas Públicas de Leitura e Comunicação e Visibilidade. Estes eixos são fundamentais para a estruturação e a sustentabilidade de uma biblioteca comunitária. Existem muitos municípios sem bibliotecas públicas e nas escolas ou com um número de bibliotecas que não atende às necessidades da população. Então, as bibliotecas comunitárias desempenham importante papel de democratização ao acesso do livro, da leitura e da formação de leitores, além de se tornarem um espaço de fomento cultural e de reflexão na garantia dos direitos à educação. Os polos de leitura do programa Prazer em Ler também têm trabalhado para que os gestores públicos, em conjunto com a sociedade civil, construam seus planos municipais do livro e da leitura e na efetivação da lei 12.244/10, que decreta que todas as instituições de ensino do País tenham uma biblioteca”.
*Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.
Fonte: http://educacao.uol.com.br/colunas/lucila-cano/2013/01/25/bibliotecas-de-portas-abertas.htm




