Data de publicação: 08/11/2012
Por Lina Moscoso
O projeto está na Semam para ser avaliado, mas ainda precisa da aprovação do Patrimônio Histórico
A jornalista Déborah Duarte vai casar no próximo ano e foi procurar a capela do Colégio Dorotéias para realizar a cerimônia. Tamanha foi a surpresa de Déborah ao saber que não existia mais Igreja no local. Há cerca de cinco anos, há um projeto de instalação de um biblioteca na antiga paróquia. Essa ideia é anterior ao tombamento do Dorotéias pelo Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura (Secultfor), que data de outubro de 2008. No entanto, o colégio foi vendido para o Grupo Universitário Maurício de Nassau.
O altar da capela, tombada em outubro de 2008, chegou a ser derrubado pela administração do Dorotéias, que foi vendido para o Grupo Universitário Maurício de Nassau. O projeto de instalação da biblioteca já tem cinco anos
A administração do Dorotéias chegou a derrubar o altar da capela, que hoje está desativada, aguardando uma intervenção. “Isso foi feito de forma irregular, tanto assim que eles foram multados”, conta a coordenadora do Patrimônio Histórico da Seculfor, Clécia Monastério. A partir daí, o projeto ficou parado e a nova administração do Dorotéias focou na recuperação do colégio, como informa Clélia.
Déborah Duarte lamenta o fim da Igreja. “Estudei a minha vida toda no colégio e tenho uma ligação com o lugar. Moro próximo dali, fiz a Primeira Comunhão e Crisma na capela. Fiquei frustrada e chateada com a notícia”, lastima.
A jornalista conta que teve a ideia de se casar na Igreja do Dorotéias em virtude da ligação com lugar, e foi se informar com a Arquidiocese de Fortaleza, que disse que a capela já não existia mais. Tinha virado biblioteca.
“Minhas amigas queriam também realizar o matrimônio no templo religioso e, quando souberam, ficaram chateadas”, diz.
A coordenadora da Secultfor lembra que, mesmo com o tombamento, é possível mudar a funcionalidade de equipamentos, mas sem mexer na arquitetura e na volumetria da fachada. “É possível criar uma estrutura independente sem encostar nas paredes”, detalha Clélia.
O projeto da biblioteca está na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) para ser avaliado. A Secultfor revela que aguarda que o documento chegue lá porque necessita da aprovação do Patrimônio Histórico para que tenha continuidade.
Tombamento
O objetivo de um tombamento é conservar a construção, mantendo, assim, a história de equipamentos e, consequentemente, da cidade. Bens tombados passam a ser heranças sociais e a se manter sob o olhar do poder público. O restauro da fachada do colégio preservou o desenho original. Com o tombamento, foi possível reconhecer a importância histórica, arquitetônica e afetiva do Dorotéias para a população de Fortaleza.
O Colégio de Nossa Senhora do Sagrado Coração das irmãs Dorotéias foi criado em 1915. O prédio possui linhas arquitetônicas do estilo eclético, surgido na França, ainda na metade do século XIX.
A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da Faculdade Maurício de Nassau, contudo, não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1201334




