Estudante, bibliotecário e professor universitário apostou nos estudos para mudar de vida. Em março, lança livro que é resultado da tese de doutorado em literatura
Graduado em quatro cursos na Universidade de Brasília (UnB), o bibliotecário da Câmara dos Deputados Cristian Santos analisa a representação das beatas e dos padres na literatura brasileira do século 19 no livro Devotos e Devassos. A obra é resultado da tese de doutorado do autor e será publicada em 12 de março na Biblioteca Central dos Estudantes (BCE) da UnB. Hoje, Cristian é servidor público e professor universitário, mas já teve que vender cocadas para pagar as passagens de ônibus até a escola e enfrentou muitos desafios. No caso dele, a educação foi a única saída para a mobilidade social.
A trajetória de Cristian começou em uma pequena biblioteca em Brazlândia (DF), a Biblioteca Setorial Érico Veríssimo, que frequentava desde criança. O pai era um carpinteiro semianalfabeto e a mãe, uma vendedora de doces que sempre apostou na escolaridade para a mudança de vida dos filhos. A atenção materna foi determinante para motivá-lo. Com o objetivo de garantir uma vaga em escola pública no Plano Piloto, a 45 km de casa, a mãe passou a noite na fila em frente à escola, o Elefante Branco.
“Eu tinha que acordar muito cedo para ir à aula e vivia com pessoas de origens muito diferentes. Isso deu uma guinada na minha vida. Saí um pouco daquele universo”, conta. A passagem era paga com o dinheiro que ganhava vendendo cocadas que a mãe fazia para os vizinhos. “Foi um período cheio de desafios”, comenta, “mas eu sempre dei o meu máximo, como
uma forma de compensar o esforço da minha mãe.”
Foi em uma feira de cursos na escola que ele descobriu a graduação em biblioteconomia: “Havia um folder sobre o curso que sugeria o filme O nome da rosa. Ali descobri o que eu queria fazer”. Em 1995, ingressou no curso na Universidade de Brasília. E não parou mais de estudar. A conquista de uma vaga no concurso do Tribunal de Justiça do DF, três anos depois, foi o que facilitou a vida financeira.
Nesse meio tempo, cursou inglês no Centro de Línguas (CIL), e francês, italiano e espanhol em cursos particulares, todos como bolsista. E outras conquistas vieram: ao concluir a graduação, foi mais uma vez aprovado, agora no certame do Superior Tribunal de Justiça. “Fui o primeiro bibliotecário homem de lá”, comemora.
Além da pro-atividade, Cristian destaca a perseverança como uma de suas maiores qualidades. Sem temer os ‘nãos’ que receberia, enfrentou cada desafio com dedicação. Pouco a pouco, ganhou reconhecimento. Cursou letras-francês, tradução e fez mestrado em ciências da informação na UnB. É doutor e faz pós-doutorado em literatura. “A graduação é apenas um panorama, um leque aberto de possibilidades”, comenta. Em 2012, concluiu filosofia na Universidade Metodista de São Paulo. Pela academia, conheceu o Canadá, a Noruega e a Finlândia.
Hoje, divide o trabalho como bibliotecário concursado na Câmara dos Deputados com a carreira de professor de diversas áreas em faculdades particulares e, ainda, a quinta graduação, em teologia. Ele não se cansa. Neste ano, começará a dar aulas de francês no CIL e pretende contribuir para que os alunos conquistem oportunidades, como ele. Cristian afirma que sua vocação final é ser professor de universidade pública. “É meu sonho”, declara. “Vou terminar minha vida dando aulas na universidade. Sei que isso pode ter impacto direto na vida das pessoas.”
Em tempo, o bibliotecário Cristian Santos será um dos palestrantes na Semana do Bibliotecário, promovido pelo CRB-6, em Belo Horizonte. Aguardem novas informações em nosso blog.
Fonte: Correio Brasileiense






Quanta motivação.. um grande exemplo de perseverança.
Admirável talento e disposição!
Um grande exemplo de perseverança. Paranbéns!