O avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) generativa nas salas de aula e nos ambientes de trabalho trouxe um alerta para os profissionais da informação e educadores, o risco da “delegação do pensamento”. De acordo com o Bibliotecário Lucas Martins (CRB-6/3621), a facilidade em obter textos prontos e soluções complexas via IA pode estar atrofiando habilidades humanas essenciais, como a criatividade e a construção de ideias próprias.
O alerta ganha sustentação com dados de um experimento realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Na pesquisa, estudantes foram divididos em três grupos para realizar uma redação: um com acesso ao ChatGPT, outro com o Google e um terceiro dependendo apenas do próprio raciocínio.
O grupo que utilizou a IA generativa apresentou o pior desempenho cognitivo. Embora os dados sejam preliminares, eles reforçam a percepção de que a tecnologia, quando utilizada sem critérios pedagógicos, funciona mais como uma “muleta” do que como uma ferramenta de ampliação da inteligência.
Apesar dos riscos, a IA não é vista como uma vilã por especialistas, mas como uma aliada em potencial quando usada de forma responsável e adequada. Curiosamente, o avanço da IA coincide com um fenômeno inverso, o fortalecimento da leitura tradicional. Com a implementação de leis que restringem celulares em salas de aula em diversos estados brasileiros, as bibliotecas têm registrado aumento na frequência.
Para Lucas, o foco da educação atual deve migrar da simples “alfabetização digital” para o letramento crítico. A proposta é formar cidadãos que saibam utilizar as bases de dados e a IA, mas que mantenham a autonomia intelectual para questionar e analisar o que é gerado pela máquina.
“A IA veio para ficar. A questão agora é: ela vai ampliar a nossa inteligência, ou substituí-la? A resposta está na educação. E a responsabilidade é de todos nós”, reflete o profissional.
O papel de Bibliotecários e educadores torna-se, portanto, ainda mais central na mediação desse conhecimento, garantindo que a tecnologia seja uma ponte para a emancipação, e não para a passividade mental.




