Com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, bibliotecas públicas do país passam a lidar com os impactos de uma agenda mais conservadora. Políticas migratórias restritivas e o corte de apoio a programas de diversidade colocam em risco projetos sociais desenvolvidos nas últimas décadas por essas instituições.
Espaços historicamente voltados à integração social, as bibliotecas norte-americanas têm atuado como pontos de apoio a imigrantes, oferecendo cursos de inglês, atividades culturais e ações voltadas à representatividade de gênero, raça e sexualidade. A Biblioteca Pública de Nova York, por exemplo, mantém o Immigrant Services Program, voltado à adaptação de imigrantes à sociedade americana.
Com o novo cenário político, iniciativas desse tipo enfrentam incertezas. Cortes de financiamento, desmobilização de políticas públicas e pressões ideológicas ameaçam a continuidade de programas voltados à inclusão.
Especialistas veem a situação com preocupação e alertam que o modelo norte-americano pode influenciar práticas em outros países. No Brasil, diversas bibliotecas têm se inspirado em ações similares para promover cidadania e integração social.
Biblioteca ‘proibida’ por Trump que une (e divide) a fronteira entre EUA e Canadá
A histórica Biblioteca Haskell, dividida entre os EUA e o Canadá, se tornou foco de tensão diplomática após novas restrições migratórias impostas pelo governo Trump. Localizada entre Derby Line (Vermont, nos Estados Unidos) e Stanstead (Quebec, no Canadá), a instituição sempre funcionou como símbolo de convivência pacífica entre os dois países — com entrada pelo lado americano e prateleiras no lado canadense.
Desde março, porém, agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA passaram a barrar a entrada de canadenses, exigindo que o acesso seja feito por postos oficiais. A mudança encerra uma tradição de livre circulação entre as cidades vizinhas e impacta diretamente o uso da biblioteca por moradores de ambos os lados.
A partir de outubro, apenas serviços de emergência poderão atravessar livremente a linha fronteiriça marcada no chão da biblioteca. Em resposta, a Haskell anunciou planos para abrir uma entrada do lado canadense, ao custo estimado de US$ 100 mil. Enquanto isso, uma saída de emergência está sendo usada como acesso provisório.
O governo alega riscos de segurança e tráfico ilegal, embora não haja registros recentes de crimes no local. A decisão é vista por moradores como uma medida desproporcional e um ataque a um espaço que representa cooperação binacional.




