Em junho de 2025, o Museu do Louvre, em Paris, ficou fechado temporariamente devido à superlotação, o que acendeu um alerta global sobre a dinâmica dos espaços culturais. No entanto, enquanto grandes museus lutam com o excesso de visitantes, espaços culturais seguem sendo deixados de lado nas rotas de viagem.
Segundo o Bibliotecário Lucas Martins (CRB-6/3621), as bibliotecas brasileiras ainda vivem à margem dos guias e roteiros oficiais, perdendo a oportunidade de se consolidarem como centros de acolhimento e preservação da memória local.
Para o profissional, existe uma ironia no cenário turístico atual. Muitas vezes, pontos turísticos com menor relevância cultural recebem grandes investimentos e atenção governamental, enquanto as bibliotecas, que guardam a real história e as tradições de uma comunidade, são negligenciadas.
“As bibliotecas, especialmente em cidades históricas, turísticas ou mesmo em centros urbanos, reúnem acervos ricos sobre a cultura local, a memória de comunidades e tradições regionais. Muitas delas estão instaladas em edifícios históricos e abrem caminho para vivências que complementam roteiros culturais. Ainda assim, raramente são incluídas em guias de turismo ou destacadas pelos serviços públicos como atrativos relevantes,” aponta.
A biblioteca como ponto de apoio
Uma das soluções propostas por Lucas Martins para reverter esse cenário é a transformação desses espaços em pontos estratégicos de apoio ao visitante. Em experiências observadas em cidades menores, a biblioteca já atua como um porto seguro que oferece internet gratuita, ambiente climatizado para espera de transportes ou check-ins, além de informações fidedignas sobre a localidade.
Inspirado em modelos de sucesso, como o passaporte do projeto Estrada Real, em Minas Gerais, o Bibliotecário sugere a inclusão de bibliotecas nos roteiros turísticos, com o objetivo de ampliar sua divulgação e fortalecer a transmissão de conhecimento e cultura à população e aos visitantes, reflete.
Valorizar e manter as bibliotecas em pleno funcionamento não é apenas uma escolha cultural, é uma obrigação que gera benefícios imensos para a sociedade. O desafio agora reside no diálogo entre os setores de cultura e turismo para que esses “tesouros” deixem de ser ignorados e passem a ocupar o centro da experiência do visitante.




