Para muitos, a escolha profissional vem por um acaso. Para a Bibliotecária Giovanna Marcia Valfre Pereira (CRB-6/557ES), o “divisor de águas” veio durante o cursinho pré-vestibular, quando um professor a incentivou a olhar além das carreiras tradicionais. Casada e com dois filhos pequenos, ela ingressou na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e se formou em biblioteconomia.
Atualmente, atua como coordenadora no Centro de Documentação da Arquidiocese de Vitória, no Espírito Santo, hoje guarda o que há de mais precioso na identidade capixaba. A profissional fala das raridades que podem ser encontradas no acervo da Arquidiocese. “O arquivo da arquidiocese de Vitória, que contém manuscritos e livros importantíssimos, documentos primários, com informações extremamente importantes para a identidade do povo capixaba”, afirma.
O público da Arquidiocese não se registre somente figuras religiosas ou estudantes. O espaço recebe diversos pesquisadores interessados na história de povos originários. Giovanna fala sobre como é receber esses entusiastas.
“Somos conscientes das dificuldades, incluindo o desaparecimento de povos originários e as questões históricas da igreja. Contudo, reconhecemos que grande parte de nossa história é derivada desses documentos. A igreja se dedicou a documentar essa história, atraindo pesquisadores de universidades brasileiras e estrangeiras. Como exemplo, atualmente, recebemos um pesquisador italiano interessado em investigar o trabalho dos imigrantes, especialmente os italianos. Ele busca informações nos livros de registro e nos livros tombo, que detalham a situação local, incluindo a pobreza da população, os desafios enfrentados e as informações sobre a igreja. Nos livros, encontra-se o registro da chegada dos italianos, a construção de suas casas e igrejas, bem como as circunstâncias de sua imigração. Atendemos a pesquisadores de diversas áreas”, conclui.
Trabalhar em meio a obras raríssimas exige cuidado e atenção. A profissional desenvolve projetos importantes para a preservação da história do Estado, ela fala de um dos projetos que mais se orgulha de ter participado.
“Um projeto marcante foi a organização e digitalização do acervo de imagens. Inicialmente, estimamos um acervo de três mil fotografias. Com apoio da Secretaria de Cultura do Estado, organizamos, indexamos e digitalizamos esse material. O acervo resultante é um valioso registro da história da Igreja e da cidade, documentando eventos importantes, como visitas pastorais, inaugurações e a Festa da Penha, uma das maiores festas marianas do Brasil”, reflete.
É relevante destacar a longevidade do local de trabalho da Bibliotecária, a Arquidiocese de Vitória foi fundada em 1535. Com o objetivo de contar a história do local, Giovanna organizou uma exposição contando a trajetória da Arquidiocese até os dias atuais. A profissional conta como foi o planejamento para o evento. “A exposição, que demandou um ano de planejamento e produção, está disponível ao público. Como uma das curadoras, considero este trabalho de grande importância, pois não se limita a apresentar a história dos católicos ou membros da instituição, mas também a identidade do povo capixaba. A exposição retrata os indivíduos que construíram o estado, os imigrantes que chegaram, e a atuação da igreja na defesa da vida, dos direitos humanos e nas questões sociais”, afirma.
Giovanna também é uma voz ativa na valorização da classe. Com passagem pela vice-presidência do Conselho Regional de Biblioteconomia 6º Região (CRB-6), ela defende o papel dos Conselhos na garantia do exercício ético e técnico da profissão. Para ela, a Biblioteconomia é uma área em expansão, especialmente no gerenciamento de dados e na curadoria de informações em meio ao excesso de conteúdo digital.




