A história da Bibliotecária Mariela Alejandra Salinas Retamal de Calazans (CRB-6/4428) é um relato de coragem, adaptação e paixão pela organização da informação. Natural do Chile, ela trocou seu país de origem pelo Brasil em 2015, motivada por uma decisão pessoal. O que ela não imaginava é que, em solo mineiro, encontraria uma nova vocação que a levaria ao topo de seleções públicas e à linha de frente da Biblioteconomia escolar.
Após testar seus conhecimentos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a chilena ingressou na graduação de Biblioteconomia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A sua dedicação lhe garantiu uma vaga em um estágio no Tribunal Regional Federal 6ª Região (TRF-6). Mariela dá mais detalhes de como foi atuar em um tribunal regional. “Nessa biblioteca o trabalho era mais focado no atendimento ao usuário, disseminação seletiva da informação e trabalhei muito com aprovação de atos administrativos. Trabalhei ativamente na criação e atualização de manuais, tanto para os servidores do tribunal (manual para publicação de atos administrativos) quanto no manual de atividades da biblioteca, visando sempre pela agilização e padronização dos serviços”, conclui.
Atualmente a Bibliotecária atua na Escola Municipal Miguel Resende, localizada em Santa Luzia. Nas primeiras semanas de trabalho, encontrou um cenário infelizmente comum nas instituições de ensino. “Quando cheguei na escola, me deparei com uma biblioteca grande, com muitos livros e relativamente organizada, pelo menos visualmente. Mas, era um espaço um tanto descuidado: os livros não estavam organizados com um sistema de classificação; existia um livro, no qual os livros eram “catalogados”, que era mais algo assim como um livro de registro-tombo, que infelizmente não estava bem estruturado”, reflete.
Hoje, quase um ano após sua chegada, o cenário é outro. Com o apoio do diretor da escola Mariela tem implementado processos de organização e limpeza técnica, transformando o local em um ambiente de aprendizado real.
A presença da Bibliotecária chilena abriu portas para um intercâmbio cultural na instituição. Apesar de não ter introduzido autores chilenos específicos no acervo, constantemente ela traz questões de seu país para enriquecer a aula dos professores. “Falo sobre questões relacionadas com a ditadura militar que aconteceu no Chile, sobre personagens relevantes do país, sobre a geografia e a cultura do Chile, dos costumes, a visão de uma pessoa que cresceu no país, resulta em muito interesse dos alunos”, afirma.




