Álamo Chaves (CRB-6/2790)
Presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6)
Nas duas últimas eleições presidenciais, o Brasil viveu um apogeu de informações falsas. Portais de veiculação de notícias foram criados, emulando a identidade visual de grandes agências de comunicação, para propagar conteúdos eleitoreiros deste ou daquele candidato. Publicações inundaram as redes sociais com informações mentirosas, quase sempre citando dados de falsas pesquisas ou usando como fontes o nome de especialistas que sequer existem.
As desinformações foram muitas. “A urna eletrônica pode ser fraudada”, “A vacina contra a covid contém um chip chinês”, “As escolas vão distribuir o ‘kit gay’ para crianças”, “O comunismo vai acabar com a igreja no Brasil”, “O voto deve ser impresso para ser auditado”, “Cloroquina cura a covid”.
As teorias conspiratórias, impulsionadas sobretudo em aplicativos de mensagem e compartilhadas aos montes em redes sociais, criavam uma realidade paralela por meio da crença em informações falsas, como a que apregoava que “a Terra é plana”.
Os casos relatados são apenas alguns exemplos de como a distorção de um fato pode ter imensa amplitude e reverberar por muito tempo, principalmente se forem oriundos de pessoas que exercem grande influência na sociedade. À vista disso, com a chegada de um ano eleitoral que promete manter forte polarização entre os brasileiros e contar com uma saraivada de fake news na internet, torna-se necessário atentar – mais uma vez – para o cuidado com a desinformação.
É bem provável que vamos nos deparar novamente com publicações que distorcem dados e fatos no intuito de beneficiar algum candidato especificamente. À exemplo de 2018 e 2022, deveremos ter que lidar com líderes religiosos lançando mão de malabarismos retóricos a fim de alinhar discurso de ódio à Bíblia, socialistas tentando defender o livre mercado e políticos inescrupulosos desdizendo o que haviam dito antes.
Em uma sociedade marcada pela crescente circulação de informações, pela expansão das tecnologias digitais e pela disseminação de conteúdos falsos ou enganosos, o bibliotecário tem um papel fundamental na construção de uma sociedade crítica e democrática, atuando como mediador do conhecimento, facilitador do acesso à informação e agente de transformação social.
Fake news é crime previsto na legislação penal. Por isso, cabe a esses profissionais encabeçar campanhas contra a desinformação para que o público tenha acesso a materiais de qualidade, além de contribuir para que cada cidadão possa desenvolver a capacidade de buscar, avaliar, compreender e utilizar informações de maneira ética, responsável e autônoma.




