Inspirado em iniciativa francesa, Ninho de Livro pretende chegar a 50 pontos da cidade
Encravada em meio ao vaivém de Copacabana, a Praça Sarah Kubitschek guarda muitas histórias. E, desde janeiro, quando chegou por ali o projeto Ninho de Livro, esse acervo cresceu. Afinal, na casinha pintada com nuvens brancas e azuis instalada num poste, o público que frenquenta o espaço poderá encontrar livros deixados ali por quem já os leu e deseja que as histórias voem por aí.
A iniciativa, cujo objetivo é promover a troca de livros entre vizinhos, é da agência de benfeitorias Sarápia. Em fevereiro, outros dois “ninhos” foram instalados, no Vidigal e no Parque Guinle, e, até o fim deste mês, sete novos endereços da Zona Sul serão contemplados.
— Além de promover a leitura, a ideia do projeto é disseminar a cultura colaborativa, transformar o que poderia virar lixo em algo útil para outras pessoas e incrementar a ocupação do espaço público. A gente quer que as pessoas se sentem nas praças e leiam, em vez de usar esses locais apenas para passagem — comenta a publicitária e sócia da Sarápia Renata Tasca, que se inspirou num modelo similar que conheceu durante uma viagem de férias, para criar o Ninho de Livro. — Fui para o sul da França em setembro do ano passado e vi que poderia adaptar essa iniciativa para a realidade carioca.
Esta semana será a vez de o Morro do Cantagalo receber a sua casinha de livros. Outras favelas da região estão nos planos do projeto.
— Além de praças e parques públicos, o nosso foco é levar o Ninho de Livro para lugares onde as pessoas não têm fácil acesso à leitura. Quando implantamos o projeto no Vidigal, convidamos a escritora Thalita Rebouças para participar do evento de lançamento. Ela levou vários exemplares dos livros que escreveu e ainda leu trechos do seu mais recente lançamento. As crianças ficaram encantadas — lembra Renata.
A meta do projeto é alcançar um total de 50 casinhas de livros instaladas na cidade. Para que isso aconteça, no entanto, a Sarápia, que conta com o apoio da Secretaria municipal de Conservação, espera ter a ajuda de um patrocinador.
— As dez primeiras foram produzidas com recursos nossos, mas vamos buscar ajuda para poder crescer. Temos intenção de levar o projeto para outros lugares da cidade, como o Centro e o Parque Madureira, mas tirando dinheiro do próprio bolso fica inviável — afirma ela, que se reveza com a equipe da agência numa ronda semanal pelos locais onde há “ninhos”. — Não deixamos eles ficarem vazios, senão perde a graça.
Fonte: O Globo | Adalberto Neto





