Pequeno comércio em Cianorte já tem 400 livros disponíveis à comunidade. Todos os títulos podem ser levados para casa, sem cadastro ou multa.

‘Se um jovem começar a ler por minha causa, a ideia já valeu a pena’, diz idealizador. (Foto: Arquivo pessoal)
O mercadinho de Victor Hugo Davanço tem frutas, verduras e uma prateleira cheia de livros para quem quiser pegá-los. O pequeno comércio em Cianorte, no noroeste do Paraná, virou biblioteca pública e gratuita, há dois meses, depois que o comerciante sentiu falta de um lugar para leitura na cidade.
Davanço, que também é pedagogo, reuniu 40 livros que estavam empoeirados em casa e decidiu colocá-los a disposição da comunidade, ao lado dos produtos do mercado. Deixou todos os títulos livres para quem chegasse e quisesse levar para casa. Não é preciso cadastro, não tem data para devolução, não há cobrança de multa. Basta emprestar e, por bom senso, devolver quando acabar de ler.
“A biblioteca da cidade estava fechada há algum tempo. Não tinha nenhuma opção para quem quer um livro para ler, sem ter que comprá-lo. O pessoal sempre vinha ler um jornal que eu deixava aqui no mercado. Então, tive a ideia de pegar meus 40 livros e colocar na prateleira, para quem quiser pegar”, conta o dono do mercado.
Segundo ele, os alunos de um colégio vizinho impulsionaram a ideia. Há vários livros mais complexos, para os adultos, mas a maioria dos empréstimos é feita por crianças e adolescentes que deixam as aulas e passam na minibiblioteca.
“A molecada começou a vir, pegar sempre. Quase todo dia, eles vêm aqui escolher algum livro. No período de férias mesmo, foi um sucesso. Lembro de uma menina, de uns 10 anos, que levou quatro títulos em um dia só. Outra vez, um ‘rapazinho’ pegou e levou para casa. No outro dia, o irmão mais velho dele veio pedir para ficar com o livro mais um dia, porque o menino não tinha entendido e queria ler de novo. Era o primeiro livro que ele lia na vida”, relembra.
Atualmente, a prateleira já tem mais de 300 livros, conforme Davanço. Além dos 40 que ele colocou, as outras obras são todas frutos de doação. “O pessoal tem trazido bastante livro para cá. A gente tem dificuldade em ver incentivo à leitura, à educação, mas a ideia tem dado muito certo. Acho que só falta a oportunidade para as pessoas gostarem de ler. Não me importo se perder livros, já que deixo livre. Se um jovem começar a ler por minha causa, a ideia já valeu a pena”.
Fonte: G1 | Erick Gimenes




